Cristiano Ronaldo vem fazendo história no futebol há mais de 20 anos, sempre quebrando recordes. Recentemente, ele se tornou o primeiro jogador a marcar em seis Copas do Mundo diferentes. No entanto, há um número que continua a não mudar para ele: desde 2006, em oito partidas de mata-mata na Copa do Mundo, ele não marcou nenhum gol e também não deu assistências. Essa situação será colocada à prova novamente nesta quinta-feira, às 20h (horário de Brasília), quando Portugal enfrenta a Croácia nos 16 avos de final em Toronto. E, com quase 41 anos, Ronaldo está determinado a finalmente ser decisivo em um momento tão importante.
Com essa provavelmente sendo sua última Copa do Mundo, o tempo está se esgotando para o craque e as oportunidades de quebrar esse jejum diminuem. Na história de Cristiano no mata-mata, a última vez que ele teve uma chance foi em 2006, na Alemanha, quando jogou quatro partidas sem marcar. Aquela edição incluiu uma vitória nas oitavas contra os Países Baixos, uma classificação nos pênaltis sobre a Inglaterra nas quartas e a derrota para a França na semifinal, além da perda do terceiro lugar para a Alemanha.
Em 2010, na África do Sul, Ronaldo teve pouco impacto quando Portugal foi eliminado nas oitavas pela Espanha, que acabou se sagrando campeã. Na Copa de 2014, no Brasil, ele não teve a oportunidade de brilhar, já que Portugal não passou da fase de grupos, terminando em terceiro no Grupo G. Em 2018, na Rússia, seu desempenho foi melhor, com um hat-trick contra a Espanha, mas a trajetória foi interrompida com a derrota para o Uruguai nas oitavas.
No Catar, sua participação nos jogos de mata-mata foi limitada. Ele saiu do banco na vitória sobre a Suíça, mas não conseguiu evitar a eliminação para o Marrocos. Essa derrota ainda é lembrada, especialmente pela decisão do técnico Fernando Santos de deixá-lo no banco novamente. Ronaldo entrou em campo já com o time perdendo e, mesmo tentando, não conseguiu fazer a diferença.
Agora, a situação é diferente. Não há dúvidas sobre sua presença em campo, já que ele foi titular em todos os jogos da fase de grupos. E tem um bom histórico contra a Croácia, tendo marcado contra eles em duas ocasiões, sendo a mais recente durante a Nations League em 2024. Além disso, a defesa croata tem mostrado vulnerabilidades, tendo sofrido cinco gols na fase de grupos, o que pode abrir oportunidades para Ronaldo.
O treinador Roberto Martínez enfrenta críticas em relação à sua abordagem tática, pois ainda não conseguiu extrair o melhor deste talentoso elenco português. Jogadores como Bruno Fernandes, Vitinha e Bernardo Silva têm se destacado em suas equipes, o que torna a dificuldade de Portugal neste Mundial ainda mais intrigante. A verdade é que a seleção não tem criado chances suficientes, especialmente contra times que se defendem bem, o que acabou limitando Ronaldo a apenas dois gols no torneio.
Ronaldo, aos 41 anos, não consegue mais recuar e criar jogadas como antes. Ele brilha quando recebe a bola na área, como no gol contra o Uzbequistão, que foi fruto de um belo passe de João Cancelo. Um gol dele contra a Croácia significaria muito mais do que apenas quebrar esse tabu. Poderia mudar a forma como essa que parece ser a sua última Copa do Mundo será lembrada.
As comparações com Lionel Messi são inevitáveis e pesam sobre Ronaldo, pois o argentino já tem 11 participações em gols em mata-matas de Copas, além de um troféu conquistado no Catar. Cristiano nunca teve um momento marcante nos mata-matas de um Mundial. Se sua atuação for discreta mais uma vez, isso só aumentará as críticas sobre seu papel na seleção. Mas, se ele brilhar em Toronto, poderá deixar uma marca significativa nessa competição que sempre lhe escapou, encerrando sua carreira repleta de conquistas de forma memorável.