No último amistoso da seleção brasileira antes da Copa do Mundo, realizado no sábado (6), a equipe não só comemorou a vitória por 2 a 1 sobre o Egito, mas também recebeu uma notícia triste: o corte do lateral-direito Wesley, que saiu de campo lesionado no primeiro tempo. A ressonância magnética revelou uma lesão muscular no adutor da coxa esquerda, e a CBF anunciou a convocação do meio-campista Éderson, da Atalanta, para ocupar a vaga deixada por Wesley.
A Confederação Brasileira de Futebol lamentou a lesão e expressou o carinho pelo jogador, que era bem querido entre os colegas. Wesley sempre será lembrado como parte do grupo que tem como objetivo conquistar o hexacampeonato mundial. Com essa mudança, a CBF confirmou que Éderson se juntará à delegação já na segunda-feira, nos Estados Unidos.
Agora, a grande questão é: como o técnico Carlo Ancelotti vai ajustar a equipe sem um jogador tão importante para sua estratégia? O corte de Wesley acontece em um momento em que o Brasil estava experimentando um estilo de jogo que priorizava a progressão pelo meio do campo, com a ajuda dos meias.
Contra o Egito, Wesley tinha um papel fundamental ao abrir espaço pela direita, permitindo que Paquetá se movimentasse mais livremente pelo centro. Com sua saída, Danilo, que é um defensor mais conservador, não conseguiu manter essa dinâmica, e isso acabou facilitando a defesa egípcia, que pôde se concentrar no meio-campo.
Além disso, a situação se complica ainda mais porque o Brasil perdeu outros jogadores importantes, como Rodrygo e Estêvão, que eram cruciais para a ideia de manter a posse de bola e controlar o jogo. Isso fez com que a equipe retornasse ao tradicional 4-3-3, que estava sendo planejado para a Copa do Mundo.
Ancelotti já havia indicado que priorizaria um esquema mais clássico, chamando dois jogadores para cada posição nas pontas. Assim, temos Rayan e Luiz Henrique pela direita, e Vini e Gabriel Martinelli pela esquerda. Isso ficou claro no segundo tempo do amistoso contra o Egito, quando a equipe passou a operar com laterais mais baixos e Luiz Henrique entrou pela direita.
Essa tática já havia sido testada por Ancelotti em jogos anteriores e parecia ter funcionado, especialmente na construção de jogadas e na defesa. Agora, sem Wesley e com a convocação de mais um meio-campista, fica evidente que o técnico vai manter o foco nos laterais mais defensivos, o que significa que a responsabilidade pela ofensividade vai ficar com os pontas.
Nos últimos meses, Ancelotti enfrentou muitos desafios na lateral direita. Ele perdeu várias opções importantes, como Vanderson, que era equilibrado e capaz de apoiar o ataque, e Éder Militão, que se destacou em um jogo crucial contra Senegal. Com o corte de Wesley, a situação se torna ainda mais complicada, pois ele era a opção que poderia oferecer mais profundidade ao ataque.
O Brasil até testou outros jogadores, como Paulo Henrique e Vitinho, mas nenhum deles se destacou o suficiente. Roger Ibañez e Militão foram considerados, mas agora, com a ausência de Wesley, Ibañez deve assumir a titularidade na lateral. Isso pode forçar Danilo a entrar como reserva, e até mesmo Marquinhos pode ser chamado para cobrir essa posição, já que já atuou como lateral em outras ocasiões.
A convocação de Éderson indica que a estratégia de Ancelotti está se moldando para o 4-3-3 mais ofensivo. Ele pode atuar como um volante mais ofensivo, trazendo uma nova dinâmica ao meio-campo. Apesar de perder Wesley, o Brasil abre novas possibilidades, e em um ciclo que já se mostrou desafiador antes da Copa, a defesa pode se tornar a prioridade de Ancelotti.