A expectativa da Bélgica para a Copa do Mundo estava bem baixa, especialmente após um desempenho fraco na fase de grupos e uma derrota de 2 a 0 para o Senegal durante os 16 avos de final. Porém, a equipe de Rudi Garcia mostrou que pode surpreender. Mesmo com a eliminação nas quartas de final para a Espanha, o time deixou o torneio com a cabeça erguida.
Na partida contra a Espanha, a Bélgica saiu atrás, mas não se entregou. Lutou para empatar, se defendeu bem e até teve algumas chances de virar o jogo. Infelizmente, sem o goleiro Thibaut Courtois, a equipe acabou pagando o preço por uma falha do goleiro Senne Lammens. Essa eliminação, embora dolorosa, deixou um sentimento de que a equipe conseguiu se reinventar ao longo da competição.
Para a Real Associação Belga de Futebol, agora começa um novo desafio. O futuro do time será bem diferente do que se esperava para essa geração tão talentosa, que ficou conhecida como a “geração de ouro” dos Red Devils.
Um novo rumo sob a batuta de Rudi Garcia
Os meses que antecederam a Copa não foram tão ruins para a Bélgica. Sob a direção de Rudi Garcia, que assumiu o comando no início do ano passado, a equipe se destacou nas Eliminatórias, passando sem dificuldades pelo grupo que contava com Liechtenstein, Cazaquistão, País de Gales e Macedônia do Norte. A seleção ainda se manteve invicta em amistosos até o revés contra a Espanha.
Contudo, o ciclo anterior, sob o comando de Domenico Tedesco, foi complicado. Ele enfrentou muitos problemas de relacionamento e o time passou por um playoff para evitar o rebaixamento na Nations League. Além disso, a eliminação nas oitavas de final da Eurocopa foi um duro golpe.
Diante da pressão para se recuperar após a frustração na última Copa, que terminou na fase de grupos, a tarefa se tornou ainda mais difícil. Os grandes nomes da equipe, como Kevin de Bruyne, Romelu Lukaku e Axel Witsel, estão longe do seu auge, e a falta de substitutos à altura é preocupante. Jogadores como Eden Hazard, Toby Alderweireld e Jan Vertonghen se aposentaram, deixando um vazio difícil de preencher.
No Mundial, a Bélgica caiu em um grupo que parecia acessível, enfrentando Egito, Irã e Nova Zelândia. Era esperado que avançasse sem problemas, mas na prática, o desempenho foi decepcionante. A equipe empatou os dois primeiros jogos e quase perdeu para o Egito e o Irã. A vitória contra a Nova Zelândia, um adversário mais fraco, veio apenas para garantir a liderança do grupo.
Uma recuperação surpreendente
A partida contra o Senegal mostrou a capacidade de superação da Bélgica. Após uma primeira metade de jogo aquém do esperado, Rudi Garcia fez mudanças que mudaram o rumo da partida. Ao tirar Jérémy Doku, o melhor jogador belga da atualidade, e De Bruyne, o time ganhou nova intensidade e conseguiu empatar em poucos minutos. A virada na prorrogação, com um gol de pênalti, foi um momento marcante.
O desempenho continuou forte na partida contra os Estados Unidos, onde a Bélgica venceu por 4 a 1, mesmo sem Doku e De Bruyne. Na partida contra a Espanha, De Bruyne voltou a campo e, apesar de não estar em sua melhor forma, ainda conseguiu deixar sua marca com passes decisivos.
Essa competição pode ter sido a última para alguns destes ícones, como De Bruyne e Lukaku, que sempre foram alvos de críticas por não terem conquistado um título relevante. No entanto, sua contribuição para a seleção foi inegável e sua ausência deixará uma lacuna difícil de preencher.
Desafios futuros para a seleção belga
É surpreendente pensar que a Bélgica, um país pequeno em tamanho e população, conseguiu revelar tantos talentos ao mesmo tempo. Jogadores como Thibaut Courtois, Vincent Kompany, Eden Hazard e Kevin de Bruyne se destacaram não só em suas equipes, mas também na seleção. Essa geração brilhante, que alcançou o terceiro lugar na Copa de 2018, será difícil de substituir.
Atualmente, o elenco belga conta com jogadores de bom nível, mas vive uma transição. Courtois, aos 34 anos, e Youri Tielemans, que já era considerado o “novato” em 2018, são os pilares da equipe. Os jovens talentos, como Amadou Onana e Doku, têm mostrado potencial, mas ainda estão longe de ter a mesma experiência e qualidade dos grandes nomes que se aposentaram.
É um momento de mudança significativa para a seleção, e, embora haja esperança e potencial na nova geração, as expectativas em comparação aos últimos anos são certamente mais modestas.