A estreia de Filipe Luís no futebol europeu foi marcada por uma ajuda crucial de Thiago Scuro, o diretor esportivo do Monaco. Ele foi o responsável por conduzir as negociações que tornaram a transferência do brasileiro possível, especialmente em meio ao interesse do Bayer Leverkusen. Agora, a dupla enfrenta um desafio e tanto no mercado de transferências: a necessidade de gerar receitas para o clube.
Logo na apresentação de Filipe Luís, que aconteceu no dia 8, Scuro já havia realizado três contratações e duas vendas, dando início a uma janela de transferências bem movimentada. O Monaco está passando por uma reformulação, seguindo diretrizes da Direção Nacional de Controle e Gestão (DNCG) da Liga de Futebol Profissional da França, que impôs um teto salarial em junho. Quem acompanha o time notou que, na última temporada, os torcedores estavam bastante insatisfeitos com as contratações que não deram certo, resultando na pior campanha do Monaco na Ligue 1 desde 2013 e na demissão de dois técnicos.
Thiago Scuro, que conta com o apoio do presidente Dimitri Rybolovlev, está determinado a melhorar a situação do clube. O trabalho dele não é só para agora, mas para assegurar um futuro mais sólido, mesmo diante de um cenário complicado. O Monaco, assim como muitos clubes, sente os efeitos de uma crise nos direitos de transmissão televisiva. A DAZN, que tinha um contrato com a Ligue 1, decidiu rescindir, resultando em uma indenização de 100 milhões de euros. Esse valor foi usado para criar o serviço de streaming Ligue 1+, mas a plataforma não tem conseguido atrair muitos assinantes e enfrenta um déficit significativo.
Além disso, o Monaco não conseguiu se classificar para a Champions League, o que diminuiu ainda mais sua receita. Para agravar a situação, o acordo com o beIN Sports, que gera uma boa parte da renda da liga, também está em risco. Com a gestão russa sem injetar dinheiro no clube há dois anos, a solução encontrada foi vender jogadores-chave para fazer caixa. Filipe Luís já estava ciente dessa situação quando assinou o contrato até junho de 2028, e Thiago Scuro tem trabalhado para implementar um planejamento que ajude a reverter essa situação.
Os objetivos do Monaco estão claros: angariar 150 milhões de euros em transferências e reduzir a folha salarial em 20%. Scuro também tem feito ajustes nas equipes técnica, de desempenho e médica, já que o alto número de lesões foi uma preocupação na última temporada.
O clube já confirmou algumas vendas, como a do lateral Kassoum Ouattara para o Besiktas, por 8 milhões de euros, e a do lateral Caio Henrique para o Ajax, por 10 milhões de euros. O volante Aladji Bamba foi vendido para o Newcastle em um negócio que rendeu 35,5 milhões de euros. Nas próximas semanas, a expectativa é que o meia-atacante Maghnes Akliouche também deixe o clube, com propostas sendo aguardadas.
Ao mesmo tempo, Thiago Scuro está atento para suprir as necessidades do elenco de Filipe Luís. Ele tem mapeado alternativas que sejam acessíveis e que tenham potencial para desenvolvimento e revenda, para manter a competitividade do Monaco. O clube está prestes a anunciar a contratação do atacante Matthis Abline, em um acordo de 30 milhões de euros com o Nantes, o que deve ajudar a reforçar o time para a próxima temporada.