Você já parou para pensar quanto um empresário de futebol investe antes de ver o primeiro retorno financeiro? E por que, mesmo com tantas conquistas, esses profissionais ainda são vistos como vilões por alguns torcedores? Essas questões foram abordadas por três grandes agentes do Paraná em um episódio do podcast DoisUm, no canal do YouTube do UmDois Esportes.
Naor Malaquias, Miguel Calluf e Marcelo Lipatin compartilharam suas experiências em uma profissão que movimenta milhões, mas que, muitas vezes, é cercada de desconfiança. Um dos pontos centrais da conversa foi a relação entre o trabalho dos agentes e as análises de desempenho dos clubes. Para Naor, a experiência no campo traz uma visão que números não conseguem oferecer. Ele explicou: “Scout vê o passado, empresário vê o futuro”. Isso porque um agente conhece não apenas as estatísticas do jogador, mas também seu comportamento fora de campo, sua dedicação e vontade de crescer.
Na prática, Naor lembrou como ele identificou o potencial de Vitinho, um jovem atacante que jogava no sub-20 do Athletico, mas que foi improvisado na lateral. Ele fez um vídeo nas redes sociais prevendo que, se o jogador aprendesse a se posicionar corretamente, poderia se tornar um sucesso. Hoje, Vitinho é uma das promessas do futebol brasileiro e já foi convocado para a seleção sub-20.
### A Realidade do Trabalho dos Agentes
Se você pensa que a vida de um agente é cheia de glamour e comissões altas, Miguel Calluf traz uma realidade bem diferente. Ele, que tem atletas na Ásia e na Europa, revelou que seu dia a dia é bastante agitado. “Eu atendo atletas que querem falar comigo a qualquer hora, mesmo que aqui sejam duas ou três da manhã. Às vezes, eu só durmo algumas horas por dia”, contou. Para Calluf, quem deseja se destacar na profissão precisa estar 100% dedicado.
E quando falamos de retorno financeiro, as coisas também não são tão simples. Os agentes lembraram que, desde 2015, com o fim dos direitos econômicos sobre atletas, a profissão se tornou muito mais desafiadora no Brasil. Além disso, a FIFA está discutindo limites para as comissões dos agentes, o que gerou até uma ação judicial na Alemanha.
### A Perspectiva de um Ex-Jogador
Marcelo Lipatin, que tem uma carreira de 15 anos como jogador em clubes de Portugal, França, Itália e Japão e hoje é dono do Hope Internacional, trouxe uma visão interessante sobre o que é necessário para ter sucesso no futebol. Para ele, não basta ter talento; é preciso ser perseverante e saber lidar com as dificuldades. “O futebol é dos que sabem sofrer”, afirmou Lipatin. Ele acredita que jogadores que possuem habilidades emocionais, além de técnicas, têm mais chances de se destacar.
Ele exemplificou sua visão com a história do volante França, que ele agenciou desde os 19 anos. França saiu do Noroeste de Bauru, foi vendido para o Hannover da Alemanha e, apesar de enfrentar sérios problemas pessoais, conseguiu se reerguer. Para Lipatin, essa trajetória é um dos maiores sucessos da sua carreira, não apenas pelo valor da transação, mas por ter ajudado a salvar uma vida.
Essas histórias e experiências mostram um pouco do lado menos conhecido e mais humano do futebol, onde cada agente vive desafios únicos, sempre buscando o melhor para os atletas que representam.