Justiça confirma vitória do Athletico de R$ 32 milhões contra ex-patrocinadora

A disputa judicial entre o Athletico e a Ligga Telecom, que já foram parceiros comerciais, ganhou um novo desdobramento, e a notícia é positiva para o clube dirigido por Mario Celso Petraglia. Na última sexta-feira, dia 14, a 12ª Vara Cível de Curitiba decidiu que os embargos à execução apresentados pela Ligga não têm fundamento. Com isso, a cobrança de R$ 32.025.275,14 permanece em pé.

Isso significa que a decisão do juiz Lucas Cavalcanti da Silva valida a execução feita pelo Athletico com base na rescisão do contrato de naming rights da Ligga Arena, que foi oficializada em julho de 2025. Vale lembrar que ainda cabe recurso por parte da Ligga.

O contrato entre o Athletico e a Ligga era bastante significativo, com uma validade prevista até 2038 e um valor total de R$ 209 milhões ao longo de 15 anos. Na época, esse acordo era o terceiro maior do tipo no Brasil. No entanto, a partir de setembro de 2024, a Ligga deixou de cumprir suas obrigações financeiras.

Em janeiro de 2025, a situação se complicou ainda mais, levando o Athletico a fechar um acordo de confissão de dívida no valor de R$ 3,48 milhões. Mas, como o pagamento continuou a ser ignorado, o clube notificou a Ligga sobre a rescisão, incluindo cobranças de multas contratuais. Até o final de setembro, todas as referências à Ligga foram removidas do estádio.

### Por que a decisão foi favorável ao Athletico

O juiz analisou e rejeitou cada um dos argumentos apresentados pela Ligga. A empresa alegou, entre outras coisas, que a execução era nula por falta de um título claro, que a rescisão do contrato foi prematura e que houve um desequilíbrio econômico-financeiro devido ao rebaixamento do time para a Série B. No entanto, a Justiça concluiu que o contrato não precisava de uma decisão judicial para ser rescindido, e que o atraso superior a 90 dias justificava a aplicação das multas.

Sobre o rebaixamento do Athletico, o juiz destacou que não existia cláusula no contrato que ligasse os pagamentos ao desempenho do time em campo. Como resultado, a multa de R$ 23.596.236, que corresponde a 11,2% do valor total do contrato, foi mantida.

### O que vem a seguir para o Athletico

Com a decisão, o Athletico pode recuperar os R$ 32 milhões em breve. Durante o processo, a Ligga garantiu o pagamento por meio de uma carta fiança, o que significa que o clube tem chances reais de receber esse valor. Além disso, a Ligga foi condenada a arcar com as custas do processo e honorários advocatícios de 10% sobre o valor atualizado da causa.

A assessoria do Athletico, representada pelo advogado Luiz Fernando Pereira, optou por não comentar a decisão até o momento. Estamos aguardando uma posição da Ligga para completar essa história.

### Um pouco de história sobre naming rights

O Athletico foi pioneiro no Brasil quando se trata de contratos de naming rights. Há 21 anos, o clube oficializou a parceria que renomeou sua Arena da Baixada para Kyocera Arena, em uma colaboração com a fabricante japonesa de tecnologia. Na época, o contrato previa um pagamento de 1,5 milhão de dólares por ano apenas para que o estádio tivesse esse nome.

Mesmo enfrentando resistência inicial da imprensa, que muitas vezes não usava o nome comercial do estádio, a parceria trouxe grande visibilidade à Kyocera. O Athletico teve um desempenho notável na Libertadores em seu primeiro ano, chegando até o vice-campeonato. No entanto, em 2008, não houve acordo para a renovação, e o país só teve outro contrato de naming rights em 2013, com o Allianz Parque, do Palmeiras.

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Rafael Souza