Éderson comenta conselho de Neymar e seu papel na Seleção

A convocação para uma Copa do Mundo é, sem dúvida, um dos momentos mais emocionantes na carreira de qualquer jogador de futebol. No entanto, a trajetória de Éderson rumo ao Mundial de 2026 foi um pouco diferente das demais. O volante da Atalanta já havia sido convocado anteriormente pela seleção brasileira, tanto com Dorival Júnior quanto na primeira lista de Carlo Ancelotti, mas acabou fora da lista final por um tempo. Quando parecia que ele assistiria à Copa pela televisão, uma ligação inesperada mudou tudo.

Éderson foi chamado de última hora para substituir Wesley, que se machucou durante um amistoso contra o Egito logo antes do torneio. A decisão de Ancelotti de convocá-lo surpreendeu a muitos, já que Éderson é volante e Wesley jogava como lateral-direito. A comissão técnica optou por fortalecer o meio-campo, confiando na energia e na versatilidade de Éderson.

Naquele momento, ele já estava de férias, curtindo um tempo com a família e se preparando para acompanhar a seleção de longe. “Eu estava pronto para ir para a Copa do Mundo, mas não fui convocado na lista inicial”, conta Éderson. Quando recebeu a ligação da seleção, não hesitou em se juntar ao grupo nos Estados Unidos, México e Canadá. Ele descreve o momento como uma mistura de surpresa e felicidade.

Chegada à Seleção e Novas Experiências

A convocação oficial aconteceu em 7 de junho, apenas seis dias antes da estreia do Brasil contra Marrocos. Éderson se apresentou no dia seguinte, pronto para integrar a equipe. Essa experiência foi bastante diferente do que ele vivia na Atalanta. Com 26 anos, já era uma das lideranças do clube, mas na seleção, encontrou jogadores mais jovens com mais experiência em competições internacionais.

Em vez de encarar isso como um desafio, Éderson decidiu observar e aprender. Ele percebeu que, mesmo sendo mais novo, alguns jogadores já tinham uma bagagem considerável em Copas. “Isso me fez focar ainda mais. Às vezes, você pensa: ‘Ele é mais novo, mas tem mais experiência aqui’. Então, eu tentei aprender com eles”, afirma.

Ele acredita que a experiência é fundamental para os futuros ciclos da seleção. Para ele, renovar o time não é só abrir espaço para novos jogadores, mas também manter aqueles que já conhecem a dinâmica de um torneio tão importante.

A Importância de Neymar no Grupo

Entre todas as vivências que teve, a convivência com Neymar foi uma das mais marcantes. O atacante chegou ao Mundial cercado de incertezas, após um período complicado por conta de lesões. Porém, dentro do grupo, sua presença era vista como um ponto de segurança. “Para mim, a presença do Neymar era muito importante. Ele tinha uma bagagem que ninguém mais tinha”, diz Éderson.

Neymar também desempenhou um papel de liderança informal, ajudando os mais jovens a lidarem com a pressão. Ele frequentemente lembrava os colegas que a tensão era normal e fazia parte da experiência de disputar uma Copa do Mundo. “Na minha primeira Copa, eu senti isso também. Ele dizia para manter a calma, que tudo ia dar certo”, relembra Éderson.

Frustração e Aprendizado Após a Eliminação

Infelizmente, a jornada do Brasil terminou mais cedo do que o esperado. A seleção foi eliminada nas oitavas de final pela Noruega, em uma partida que trouxe frustração ao grupo. Éderson, embora não revele os detalhes da conversa no vestiário, compartilha o sentimento coletivo de decepção e a reflexão que se seguiu. “Cada jogador se questiona: ‘Poxa, se a gente tivesse feito aquele gol…’”, comenta.

Após a eliminação, cada um dos jogadores buscou suas famílias para recarregar as energias. Éderson destaca a resiliência do time, que soube aceitar a derrota e buscar novas oportunidades. “Nem a seleção, nem a minha carreira acabaram ali”, diz ele. O novo ciclo já começou, e a primeira convocação de Ancelotti após o Mundial está marcada para breve.

Construindo o Futuro

Éderson sabe que a próxima etapa é transformar essa oportunidade inesperada em uma presença constante no time. Ele tem consciência de que chegar à seleção é um grande passo, mas manter-se nela é ainda mais desafiador. “Esse primeiro passo é muito difícil, mas a regularidade por meses e anos é ainda mais complicada”, reflete.

Com essa mentalidade e a experiência adquirida, Éderson está pronto para o que vem pela frente. Ele está determinado a mostrar seu valor e contribuir para a seleção, prontos para novos desafios que o aguardam na jornada rumo à Copa de 2030.

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Rafael Souza