Capitão de Senegal critica restrições impostas pelos EUA

Kalidou Koulibaly, o capitão da seleção senegalesa, expressou sua frustração após a derrota de sua equipe para a França na estreia da Copa do Mundo, onde o placar foi de 3 a 1. Ele lamentou que muitos torcedores de Senegal não conseguiram entrar nos Estados Unidos para torcer pelo time, devido a restrições impostas pelo governo anterior de Donald Trump.

Em uma conversa descontraída na zona mista do MetLife Stadium, em Nova Jersey, Koulibaly falou sobre as dificuldades que os fãs enfrentaram para comparecer ao torneio. Ele destacou que, apesar dos esforços da federação senegalesa para permitir que familiares próximos estivessem presentes, muitos torcedores acabaram sendo barrados. “Acho que todas as seleções merecem ter seus representantes aqui, então não entendo por que a África não pode ter seu povo nos Estados Unidos”, desabafou o jogador.

Ele também enfatizou que, apesar de estar em um momento difícil, o foco dele é no futebol, não na política. Para Koulibaly, o importante é jogar pelo seu povo e proporcionar alegria aos que torcem pela seleção. Senegal tem mais dois jogos pela frente: contra a Noruega no dia 22 e contra o Iraque no dia 26, ambos com grande expectativa de apoio, mesmo que limitado.

### As Restrições de Viagem dos EUA

As restrições de viagem dos Estados Unidos começaram em julho do ano anterior e foram ampliadas ao longo do tempo. O governo alegou que essas medidas visavam conter a imigração ilegal, afetando não apenas Senegal, mas também outros países, como Costa do Marfim, Irã e Haiti, que enfrentam dificuldades para obter vistos. Enquanto jogadores e suas equipes têm isenções, os torcedores acabam ficando de fora.

O veto à entrada de cidadãos de certos países gerou polêmica, especialmente considerando que muitos fãs queriam apoiar seus times durante o evento. Nos estádios, a presença da diáspora senegalesa se fez sentir, especialmente em áreas como Harlem, em Nova York, onde a comunidade tem laços fortes com Senegal.

### Vozinha e o Desafio do Visto

Outro jogador que também vivenciou essa dificuldade foi Vozinha, goleiro da seleção de Cabo Verde. Ele teve um desempenho notável ao ajudar sua equipe a empatar com a Espanha, mas ficou chateado ao saber que sua mãe não pôde estar presente por problemas com o visto. De acordo com as novas regras, cidadãos de vários países, incluindo Cabo Verde, precisam depositar uma quantia alta como caução para conseguir um visto de turista.

Vozinha compartilhou sua dor ao dizer que gostaria que sua mãe estivesse lá, lembrando-se do apoio que recebeu de seus avós, que já faleceram. Após sua declaração, o Departamento de Estado dos EUA informou que estava trabalhando para resolver a situação do visto dela. Felizmente, um congressista confirmou que a mãe de Vozinha já estava com a documentação em ordem e poderia se reunir com ele em Miami antes do próximo jogo.

Essas histórias mostram que, por trás dos jogos e das competições, existem vidas e desafios reais, e que o esporte pode ser um poderoso elo de união, mesmo em tempos difíceis.

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João Ribeiro