O empate sem gols contra o Fulham no último sábado deixou um gostinho amargo no início da trajetória de Andoni Iraola à frente do Liverpool. Com cinco partidas no comando, o técnico admitiu que a equipe deu um “passo para trás” em relação ao que vinha mostrando. Esse resultado fez com que o time chegasse ao terceiro empate em quatro jogos na Premier League, ocupando atualmente a oitava posição na tabela.
Mas não dá para dizer que tudo está ruim. O Liverpool começou sua participação na Champions League com uma vitória sobre o Atlético de Madrid e, até agora, não perdeu sob a direção de Iraola. O que preocupa, segundo o técnico, é a forma como o time consegue impor seu estilo de jogo. Para ele, a pressão exercida pelos atacantes é fundamental para determinar quanto espaço os adversários terão para trabalhar.
Iraola deixou claro: “Não se trata apenas dos meio-campistas. Quando jogamos bem coletivamente, eles conseguem se destacar e recuperar mais bolas. A atuação deles melhora não porque ganham os duelos, mas porque a equipe toda está ajudando.” Essa visão é importante para entender por que o desempenho de jogadores como Ryan Gravenberch e Dominik Szoboszlai não é visto como um problema individual. Ambos enfrentaram dificuldades contra o Fulham, mas, na visão do treinador, isso foi resultado de uma equipe que não conseguiu proteger bem o setor.
Se os atacantes não pressionam de forma coordenada, os meio-campistas acabam tendo que defender áreas maiores, o que os deixa vulneráveis. O modelo de jogo que Iraola procura implementar depende de recuperar a bola em zonas avançadas do campo, permitindo que a equipe ataque rapidamente, antes que o adversário consiga se organizar. Quando a pressão inicial dá certo, o meio-campo consegue enfrentar os adversários em situações menos favoráveis.
Na partida contra o Fulham, o Liverpool recuperou a bola muito recuado, o que não trouxe vantagem. Ao tomar a posse tão atrás, a equipe se deparou com um adversário que já estava posicionado defensivamente. Assim, o caminho até o gol se tornava mais longo e os espaços para explorar, menores. Iraola observou que, em comparação com os jogos anteriores, a recuperação da bola estava muito recuada, o que dificultava as transições e as finalizações.
O técnico quer um Liverpool que consiga ganhar terreno no campo adversário, pois isso facilita os ataques e cria mais oportunidades. Ele explicou que, em partidas anteriores, a equipe conseguia avançar mais e utilizar transições rápidas para atacar. Essa estratégia é essencial para o funcionamento do seu sistema.
Além disso, Iraola ressaltou que trocar jogadores não é a solução para os problemas atuais. “Não se trata de simplesmente trocar um jogador por outro. É necessário oferecer suporte aos nossos defensores e meio-campistas para que todos tenham um desempenho melhor e estejam em posições mais vantajosas.” Esse será um ponto fundamental a ser observado no próximo jogo contra o Tottenham, que acontece na terça-feira, em Anfield, pela Copa da Liga Inglesa.
Iraola deve fazer algumas alterações no ataque, e jogadores como Trey Nyoni estão pressionando por uma chance no meio-campo. No gol, Giorgi Mamardashvili deve substituir Alisson, em uma partida que também servirá para testar novas opções em um elenco que ainda está se adaptando às ideias do novo treinador.
No fim das contas, mais do que a troca de nomes, o desafio é restabelecer a conexão entre a linha de pressão e o restante da equipe. O Liverpool precisa que seus atacantes sejam os primeiros defensores para que possam aproveitar as bolas recuperadas de forma eficaz. Na última partida, essa conexão se perdeu, e o time teve dificuldades para iniciar os ataques em posições mais avançadas.