O Milan pode não ter alcançado todas as suas metas durante a última janela de transferências, mas conseguiu um bom reforço para o ataque com a contratação de Gonçalo Ramos. O atacante português se tornou a aquisição mais cara do clube, com um custo de 74 milhões de euros (cerca de R$ 437,2 milhões na época) junto ao PSG. Desde então, ele já participou de seis partidas e marcou um gol.
Hernán Crespo, que jogou na mesma posição que Ramos, compartilhou sua visão sobre o desempenho do novo jogador do Milan em uma entrevista à “Gazzetta dello Sport”. Crespo, que agora é técnico do Atlas, foi questionado sobre a valorização de Ramos na hora da transferência. Ele não hesitou em afirmar que conhece bem o jogador e acredita que ele é um bom centroavante, mas pontuou que, com o investimento feito, a expectativa dos torcedores era ter um artilheiro de alta qualidade. “Ele vai marcar gols, mais cedo ou mais tarde, mas nunca foi um finalizador infalível”, destacou Crespo. Para ele, Ramos é um ótimo jogador, mas ainda não pode ser visto como um atleta de elite.
Crespo sustentou sua opinião com base nas estatísticas e no desempenho recente de Ramos. O atacante começou sua trajetória no futebol profissional pelo Benfica em 2020 e, após um empréstimo ao PSG no início da temporada 2023/24, a transferência se tornou definitiva em 2024, quando o clube francês pagou aproximadamente 65 milhões de euros ao Benfica. Nos últimos anos, Ramos foi frequentemente o “12º jogador” do PSG, anotando 14 gols em 40 jogos na primeira temporada e 19 em 46 na seguinte. Na última temporada, ele balançou as redes 12 vezes em 45 partidas.
Crespo ressaltou que, nas últimas três temporadas, Ramos não teve uma média de gols excepcional, nem mesmo um gol a cada dois jogos. Ele também observou que, apesar de suas contribuições, Ramos nunca foi titular absoluto sob o comando de Luis Enrique, mesmo em um time que conquistou dois títulos europeus consecutivos.
Apesar das análises mais críticas, Crespo elogiou a entrega de Ramos ao time. O atacante tem um estilo que valoriza o trabalho em grupo, sempre se esforçando para criar espaço e puxar marcações para os companheiros. Essa característica foi um dos fatores que levaram o técnico Ruben Amorim a aprovar sua contratação, já que o Milan precisava de um centroavante que soubesse atuar sem a bola.
Na prática, vale destacar que Gonçalo Ramos não se limita a ficar na área; ele é um dos jogadores que mais correu em campo nas cinco rodadas da Série A italiana, tendo percorrido 57 quilômetros. Seu companheiro de equipe, o zagueiro Pavlovic, ficou em segundo lugar na lista com 55 quilômetros.
Crespo e Amorim concordam que a dedicação de Ramos é um grande trunfo e que isso deve ser recompensado. O treinador do Milan deixou claro: “Ramos trabalha duro, os gols virão. Ele se dedica muito à equipe”, disse após a partida contra o Lecce.