A copa do mundo e o sucesso do ‘campo aberto’ no futebol

A Copa do Mundo de 2026 já está na sua segunda rodada, e uma coisa está clara: os times que se destacam são aqueles que sabem aproveitar o campo aberto. Se olharmos para alguns resultados, como o empate entre Espanha e Cabo Verde e a vitória da Austrália sobre a Turquia, vemos que dominar a posse de bola não é mais o único caminho para o sucesso. O que realmente faz a diferença é a habilidade de usar o espaço disponível de forma inteligente.

Nos últimos anos, o futebol passou por uma transformação. Antes, as equipes priorizavam a posse de bola e o controle do jogo, mas essa abordagem está se tornando obsoleta. O estilo de jogo de Pep Guardiola, por exemplo, foi um marco. Ele levou suas ideias do Barcelona para outros clubes, como Bayern de Munique e Manchester City, e até mesmo influenciou seleções, resultando em vitórias em Eurocopas e Copas do Mundo.

Os times que se destacavam eram aqueles que dominavam o chamado Jogo de Posição. Isso significa ter um jogo de passes curto e inteligente, saber manipular as defesas adversárias e ocupar espaços estratégicos. Guardiola fez história com o Manchester City, e outros treinadores, como Thomas Tuchel e Hansi Flick, também tiveram sucesso seguindo essa linha. Mas, como em tudo na vida, as coisas mudam e é preciso se adaptar.

Com o tempo, essa abordagem foi sendo “desvendada”, e novas estratégias começaram a surgir. Hoje, vemos equipes mais compactas, que se defendem bem e são disciplinadas, tornando-se um verdadeiro desafio para os times que ainda jogam como antes. Essa mudança resultou em surpresas em competições, com times menos cotados conseguindo resultados inesperados.

O que é jogar em campo aberto, então? É um pouco mais do que simplesmente contra-atacar. O contra-ataque é uma das maneiras de aproveitar a transição ofensiva, quando uma equipe recupera a bola e parte rapidamente para o ataque. Mas existem outras formas de jogar em campo aberto. Por exemplo, alguns times, como o de Roberto De Zerbi, atraem a pressão adversária para criar buracos que podem ser explorados em um ataque rápido.

O PSG, sob a direção de Luis Enrique, faz algo semelhante. Eles esvaziam o meio-campo, atraindo a marcação para os lados e, em seguida, atacam com rapidez. Essa estratégia demonstra que, mesmo com a posse de bola, ainda é possível jogar em campo aberto.

Na Copa do Mundo, vemos isso claramente. A seleção da França, por exemplo, utiliza um esquema ousado e talentoso, com jogadores se movimentando para criar espaços. Na estreia, eles aproveitaram os erros de Senegal, marcando gols em situações de contra-ataque.

A Austrália também surpreendeu ao vencer a Turquia, jogando de maneira defensiva e se aproveitando dos contra-ataques. Por outro lado, seleções como Portugal e Espanha enfrentaram dificuldades. Portugal teve problemas em furar a defesa da República Democrática do Congo, enquanto a Espanha se viu em apuros contra Cabo Verde, que defendeu bem e explorou os espaços.

Até mesmo a seleção brasileira enfrentou dificuldades contra Marrocos, que se defendeu de forma compacta. O gol do Brasil só saiu de uma jogada individual, mostrando que, quando um time se organiza bem defensivamente, pode causar problemas mesmo para equipes mais habilidosas.

No final das contas, estamos vendo que equipes que se defendem bem e sabem aproveitar as oportunidades em campo aberto podem ser mais eficazes do que aquelas que simplesmente dominam a posse de bola. A Copa do Mundo de 2026 já está mostrando que o jogo está mudando, e quem souber se adaptar a essas novas dinâmicas terá mais chances de sucesso.

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João Ribeiro