O tetracampeão Branco, que atualmente coordena as categorias de base da CBF, não poupou críticas à gestão anterior da entidade. Em uma conversa franca com o jornal espanhol AS, ele falou sobre como a falta de planejamento comprometeu o futuro da seleção brasileira. Segundo Branco, a antiga administração, liderada por Ednaldo Rodrigues, jogou fora um projeto que poderia ter alinhado o Brasil ao modelo de sucesso da seleção espanhola.
Branco lembrou que, após os Jogos Olímpicos de Tóquio, tanto Brasil quanto Espanha tinham ideias semelhantes para o desenvolvimento de suas equipes. Porém, a continuidade fez toda a diferença. Enquanto a Espanha manteve a estrutura e aproveitou a geração de jogadores, o Brasil acabou abandonando o trabalho com as seleções de base. “Jogou tudo no lixo. Todo o planejamento de quatro anos foi apagado”, disse ele.
Ele fez uma comparação interessante entre as seleções que jogaram a final olímpica. Do lado espanhol, sete jogadores continuam na seleção principal: Unai Simón, Pedri, Dani Olmo, Mikel Merino, Martín Zubimendi, Mikel Oyarzabal e Marc Cucurella. Já do Brasil, apenas Gabriel Martinelli, Bruno Guimarães e Matheus Cunha mantiveram um papel relevante. Para Branco, essa falta de continuidade fez com que o Brasil ficasse para trás em relação à atual campeã do mundo.
Além disso, Branco não hesitou em classificar a preparação para a Copa do Mundo de 2026 como a pior da história do Brasil. Ele destacou a instabilidade que a seleção enfrentou, com quatro treinadores diferentes ao longo do ciclo e resultados que deixaram a desejar. Para ele, essa oscilação prejudicou a formação de uma identidade clara para a equipe.
Ele também se defendeu das críticas direcionadas ao técnico Carlo Ancelotti, afirmando que o italiano teve pouco tempo para reorganizar o time antes do Mundial. Com um novo ciclo pela frente, Branco acredita que agora a comissão técnica terá um ambiente mais estável para trabalhar e reconstruir a seleção.
Atualmente, Branco está envolvido em um novo projeto com a seleção sub-20, que se encontra em preparação em Murcia, na Espanha. O foco é formar uma equipe que busque a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Los Angeles, em 2028. Além disso, a CBF está de olho em jovens talentos brasileiros que atuam na Europa, especialmente aqueles que são filhos de imigrantes e que têm potencial para representar o país nas categorias de base ou na seleção principal no futuro.
Um aspecto importante que Branco defende é a recuperação das características tradicionais do jogador brasileiro. Ele acredita que, apesar da evolução física e tática do futebol mundial, ainda é essencial manter o espaço para o drible, a criatividade e a improvisação. Ele cita seleções como Espanha, Argentina, Inglaterra e Portugal como exemplos de boas práticas no desenvolvimento de jogadores.