A mudança para o Shakhtar Donetsk trouxe para Marlon Gomes desafios que vão muito além do que acontece dentro de campo. O volante, que deixou o Vasco para jogar na Ucrânia, precisou se adaptar não só ao novo futebol, mas também a uma cultura diferente e, claro, ao contexto da guerra no país. Agora, quase três anos depois, ele tem um objetivo bem claro: se destacar nas principais ligas da Europa e, quem sabe, conquistar um espaço na seleção brasileira.
Com apenas 22 anos, Marlon já tem consciência de que sua trajetória no Shakhtar pode ser um trampolim para alcançar essas metas. Ele reconhece que jogar fora dos grandes centros do futebol europeu pode dificultar um pouco a caminhada até a Amarelinha. Recentemente, o interesse do RB Leipzig em contratá-lo foi uma oportunidade que animou o jogador, mas a negociação não evoluiu como esperava.
Apesar de ter o sonho de brilhar em grandes ligas, a conexão de Marlon com o Vasco continua forte. Ele foi revelado em São Januário e não perdeu o contato com o clube. Marlon ainda acompanha os jogos do Vasco e torce pelo sucesso de uma nova geração que inclui jogadores como Andrey Santos e Rayan, com quem ele compartilhou muitas experiências.
### A Amizade com Andrey Santos
A trajetória de Marlon na Europa começou pouco depois da saída de Andrey Santos, seu grande amigo e companheiro de meio-campo no Vasco. Eles cresceram juntos nas categorias de base e, mesmo com as rotinas diferentes agora, a amizade se mantém firme. Marlon considera Andrey como um irmão e torce pelo sucesso dele, que agora joga no Manchester United. “Espero reencontrá-lo em campo um dia, tanto pelo grande jogador que é quanto pela nossa amizade”, comenta.
O sorteio da Champions League trouxe a esperança de que eles pudessem se enfrentar nesta temporada. Marlon queria muito jogar contra o Manchester United, enquanto Andrey sonhava em medir forças com o Shakhtar. Embora o confronto não tenha se concretizado, isso apenas mostrou o quanto eles ainda estão conectados profissionalmente.
A distância não impede Marlon de acompanhar o Vasco. Ele se esforça para assistir às partidas, mesmo que isso signifique ficar acordado até tarde na Ucrânia. Ele ficou especialmente feliz com a vitória do Vasco sobre o Fluminense na Copa do Brasil em 2025. “Fico muito feliz de ver o clube se reerguendo. Só quero vê-los vencer e voltar a ganhar títulos”, diz, com um brilho no olhar.
### O Sonho de Jogar nas Grandes Ligas
Embora Marlon tenha um carinho enorme pelo Vasco, isso não diminui sua ambição de se destacar na Europa. Ele está focado em aproveitar as oportunidades que surgirem para jogar em ligas mais visíveis, como a Premier League, LaLiga e Bundesliga. O interesse do RB Leipzig em 2025 foi um exemplo disso, embora a negociação não tenha avançado.
Ele vê o projeto do Leipzig como interessante, mas entende que o mercado é dinâmico. Apesar de estar feliz no Shakhtar, Marlon tem o desejo de dar novos passos em sua carreira. “A Premier League é a principal liga, e sabemos do nosso potencial. Quanto ao Leipzig, era um projeto legal, mas as negociações não se concretizaram, e isso é normal”, explica.
Marlon sonha em vestir a camisa da Seleção principal. Ele passou por várias categorias de base do Brasil e tem um carinho especial pelas experiências que viveu. A possibilidade de voltar a jogar pela Seleção é algo que o motiva diariamente. Ele acredita que a nova fase da comissão técnica de Carlo Ancelotti pode abrir portas para jogadores mais jovens, mas reconhece que jogar na Ucrânia pode dificultar um pouco a visibilidade.
### A Versatilidade que Conta
A competição no meio-campo da seleção brasileira é acirrada, e Marlon sabe que sua versatilidade pode ser um diferencial. Ele se destaca por atuar em várias funções, o que aprendeu desde os tempos de Vasco. “Além de saber fazer mais de uma função, tenho essa característica de preencher o campo de área a área e fazer uma transição rápida da defesa para o ataque”, afirma.
Essa capacidade de atuar em diferentes posições, desde lateral até primeiro e segundo volante, ajuda Marlon a entender as dinâmicas do jogo e se adaptar conforme a necessidade da equipe. Ele destaca a harmonia que teve com Andrey Santos, onde juntos conseguiram equilibrar as responsabilidades no meio-campo. Essa experiência é um trunfo em um momento em que o Brasil busca novas combinações para o próximo ciclo de Copa do Mundo.
Marlon entende que ainda tem muito a conquistar. O interesse do Leipzig e a participação na Champions League são apenas os primeiros passos rumo ao reconhecimento que busca. Ele continua se dedicando e sonhando em um dia vestir a camisa da Seleção principal, ciente de que o caminho está apenas começando.