Ainda não consegui me desculpar com meu neto de nove anos, que deve ter chorado muito após a eliminação do Flamengo da Libertadores. Mas é hora de aceitar que tenho uma parte da culpa nisso. Antes do jogo contra o Estudiantes, comentei em um podcast que seria incrível ver o Fernando Muslera se destacando como herói, especialmente depois da pressão que ele enfrentou na Copa do Mundo. Não imaginei que minhas palavras teriam tanto peso e acabariam influenciando o resultado da partida, onde o Muslera foi decisivo com três defesas nos pênaltis. Contudo, parece que alguém lançou um feitiço ainda mais poderoso.
Neste ano, assim como na temporada anterior, o Estudiantes se mostrou um grande adversário para os times brasileiros na Libertadores. Curiosamente, essa posição de destaque deveria pertencer ao River Plate. Com um estádio que é o maior da América do Sul e recursos financeiros robustos, o River poderia estar competindo de igual para igual com os brasileiros. No entanto, a realidade é que o time não está se saindo tão bem nem contra os outros clubes argentinos. Eles foram eliminados da Copa Sul-Americana por um time considerado fraco, o Santa Fé, da Colômbia, e também perderam para o Boca Juniors, o que pode ter sérias consequências para o futuro do River.
A situação do River Plate é preocupante. Eles não conseguiram conquistar o Torneio Apertura, que poderia ser uma porta de entrada para a Libertadores. Além disso, a eliminação na Copa fechou mais ainda as possibilidades. Agora, o caminho mais viável seria acumular pontos ao longo da temporada, mas essa estrada está quase bloqueada, especialmente após a derrota recente. A única chance que resta é o Torneio Clausura, que pode ser traiçoeiro, já que os confrontos são em um único jogo. O River precisa vencer essa competição, caso contrário, corre o risco de ficar fora da Libertadores pelo segundo ano consecutivo, o que é difícil de acreditar, considerando o número de vagas que a Argentina possui na competição.
A torcida do River já teve que lidar com a boa campanha de times novatos como Platense e Independiente Rivadavia na Libertadores. No próximo ano, podem aparecer outros clubes da cidade de Córdoba, como Belgrano e Instituto. Essa mudança no futebol argentino, com o desenvolvimento de equipes fora de Buenos Aires, é interessante e faz parte de um projeto maior. Mas como manter o espaço para essas novas forças sem prejudicar os tradicionais clubes de bairro na capital? A resposta pode estar em uma primeira divisão com 30 equipes, o que, sem dúvida, torna a estrutura do futebol no país um pouco confusa. O River, por sua vez, não está satisfeito com a organização atual.
Independentemente do formato do campeonato, o River tem potencial financeiro e histórico para se destacar, especialmente em um cenário onde a mediocridade é comum. No entanto, talvez o problema maior não esteja na estrutura do futebol argentino, mas sim na equipe atual. Com a volta de jogadores como Ángel Correa e Thiago Almada, as esperanças de glória são grandes. Contudo, o meio-campo, composto por jovens, e a defesa, cheia de veteranos, foram os pontos fracos na última partida. O zagueiro Martinez Quarta, por exemplo, cometeu um erro logo no início e foi expulso, o que complicou ainda mais a situação.
O River Plate, fiel à sua história e ao seu poder financeiro, busca um estilo de jogo expansivo e atraente. Para isso, precisa aceitar o risco de jogar em espaços abertos, mas não faz sentido ter uma linha de defesa formada por jogadores mais velhos. Em um time assim, a velocidade na defesa é crucial para que o River Plate volte a rivalizar com os brasileiros na Libertadores.