Quando o sorteio da Copa do Mundo definiu Espanha, Uruguai, Cabo Verde e Arábia Saudita no grupo F, a expectativa era alta. A seleção espanhola era vista como favorita, enquanto o Uruguai parecia ser a segunda força. Os africanos, com sua primeira participação, e os sauditas, que vinham de um desempenho irregular, eram considerados os underdogs. No entanto, o que se viu foi uma grande decepção por parte dos sul-americanos.
A equipe treinada por Marcelo Bielsa não conseguiu vencer nenhum dos jogos. Empatou com os adversários mais fracos e, na última partida, perdeu para os espanhóis. Foi uma campanha desastrosa, marcada por um desempenho abaixo do esperado e várias questões internas que afetaram o clima no vestiário. O técnico, conhecido como “El Loco”, não tinha a simpatia do elenco, e isso era evidente.
Antes do confronto com a Espanha, os jogadores pediram uma reunião com Bielsa para discutir a carga de treinos e sugerir mudanças na estratégia. O que deveriam ser apenas algumas sugestões se transformou em uma longa fala do técnico, que falou por mais de 40 minutos sem dar espaço para que os atletas se manifestassem. Esse desinteresse levou muitos jogadores a abandonarem a reunião.
A saída de Bielsa da seleção uruguaia parece ser questão de tempo. A Federação Uruguaia de Futebol deve oficializar a decisão nos próximos dias. Ele mesmo reconheceu, após a eliminação, que não conseguiu extrair o melhor do time, afirmando que sua passagem pela seleção não trouxe os resultados esperados.
O início da trajetória de Bielsa à frente do Uruguai tinha sido promissor, com vitórias sobre grandes rivais como Brasil e Argentina. Mas, a partir da Copa América de 2024, as coisas mudaram. O Uruguai teve um desempenho razoável, mas a convivência entre Bielsa e o elenco se deteriorou. O ex-jogador Luis Suárez revelou que havia um racha no vestiário, com vários jogadores insatisfeitos com a postura do técnico, que parecia distante e até mesmo ríspido em algumas situações.
Os relatos sobre a falta de interação de Bielsa com os atletas, como não cumprimentá-los ou permitir que eles se aproximassem dos torcedores, mostravam um clima pesado. Mesmo com a seleção, que deveria ser um espaço de união e alegria, a atmosfera estava tensa. Fede Valverde e outros líderes do time corroboraram as queixas de Suárez, indicando que a relação entre o grupo e o técnico era problemática. Apesar disso, a Federação manteve Bielsa no cargo, mesmo quando o rendimento da equipe caiu.
A preparação para a Copa não foi tranquila. Uma derrota por 5 a 1 para os Estados Unidos em um amistoso levantou rumores sobre a saída de Bielsa. Ele mesmo admitiu ter dificuldades em se relacionar, chamando-se de “tóxico” e reconhecendo que sua forma de trabalhar pode afastar as pessoas.
A eliminação do Uruguai foi ainda mais pesada devido aos erros do goleiro Fernando Muslera, que teve falhas em cada uma das três partidas disputadas. Curiosamente, ele tinha se aposentado da seleção, mas a volta foi motivada por uma boa fase no clube. Bielsa optou por um goleiro que, mesmo no auge, já tinha suas falhas, em vez de considerar outros jogadores que poderiam ter trazido mais segurança.
As decisões de Bielsa, como levar jogadores lesionados e não utilizar outros que estavam em boa forma, mostraram que seu comando estava longe do ideal. Ao final, ele mesmo reconheceu que sua passagem pela seleção uruguaia não deixou legados positivos. O sentimento é de que o Uruguai não conseguiu aproveitar o potencial de seus jogadores e, com isso, a trajetória de Bielsa se aproxima do fim, marcada por um desempenho que deixou a desejar.