A essência do futebol brasileiro vai além do drible

O empate do Brasil com Marrocos na estreia da Copa do Mundo deu o que falar. No canal da Trivela no YouTube, os colunistas Tim Vickery e Allan Simon comentaram sobre a partida e as expectativas frustradas dos torcedores. A má atuação da seleção foi o foco da conversa, que também abordou outros jogos do torneio.

Os fãs da Canarinho ficaram bastante irritados. O desempenho da equipe gerou críticas e até pedidos para mudanças na escalação. Entre os problemas identificados, a saída de bola falha, a marcação frouxa e a falta de oportunidades de gol foram os mais destacados. Vickery apontou que um dos principais desafios do Brasil passa por melhorar o meio-campo, que, segundo ele, está custando caro para a equipe.

O comentarista inglês destacou que o futebol brasileiro historicamente se destacou pela construção de jogadas nesse setor. Ele acredita que é ali que se encontra a verdadeira essência do nosso futebol. “O drible é importante, mas o que realmente define o Brasil é ter os melhores passadores no meio-campo, gerenciando o jogo”, explicou.

Vickery lembrou que a derrota para a Holanda em 1974 foi um marco que levou o Brasil a abandonar a ideia de um jogo focado na posse de bola. Essa mudança de conceito, segundo ele, impactou a forma como a seleção joga até hoje.

Durante a partida, Vickery notou que Marrocos, por sua vez, assimilou algumas características do futebol brasileiro, utilizando-as contra a seleção na estreia. “Ouvi muitos comentários dizendo que Marrocos parecia o Brasil dos velhos tempos, fazendo triangulações”, disse ele. Essa adaptação dos marroquinos complicou ainda mais a situação do Brasil, que teve dificuldade em criar jogadas.

No primeiro tempo, a seleção priorizou uma abordagem mais acelerada e vertical, mas isso não trouxe os resultados esperados. O empate contra Marrocos deixou os torcedores e o técnico Carlo Ancelotti frustrados. A pressão dos Leões de Atlas dificultou ainda mais a chegada ao gol brasileiro.

“Me dói ver o Brasil com tanta dificuldade para elaborar um jogo de meio-campo, porque, na minha visão, a essência do futebol brasileiro começa ali. O driblador ganha espaço quando o meio-campo troca passes e cria oportunidades”, concluiu Vickery. É um momento de reflexão para a seleção, que busca reencontrar seu estilo e identidade no torneio.

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João Ribeiro