Alex comenta sobre a compra de diploma falso por R$ 100 mil

Recentemente, o paranaense Alex de Souza, técnico do Athletic, se tornou uma das vítimas de um esquema de licenças falsas para treinadores de futebol. Essa situação foi revelada pela repórter Joanna de Assis, do UOL, e envolve um ex-jogador conhecido, Alejandro Mancuso, que atuou por clubes como Flamengo e Palmeiras.

Mancuso oferecia um falso diploma da ATFA, uma renomada escola argentina de formação de técnicos. Os ex-atletas eram atraídos pela promessa de obter quatro tipos de licenças — Pro (nível internacional), A (para futebol profissional), B e C (para categorias de base) — por um preço que chegava a R$ 100 mil. Ele garantia que com esses documentos, seria possível trabalhar em qualquer lugar do mundo, sem a necessidade de passar pelos cursos online que a instituição realmente exige.

Em áudios obtidos pela reportagem, Mancuso afirmava que, para ex-jogadores reconhecidos, o processo de obtenção das licenças seria ainda mais rápido. Ele mencionou que não seria preciso enfrentar os três anos de cursos exigidos para a certificação. Alex, ao falar sobre sua experiência, reconheceu que cometeu um erro ao comprar essas licenças. O diploma que recebeu tinha até um erro de digitação — mencionava “técnico de futsal” em vez de “técnico de futebol”. Apesar disso, ele deixou claro que nunca usou o diploma ou tentou validá-lo, já que possui formação completa na CBF Academy.

Ele compartilhou sua experiência, explicando que a promessa de uma “facilidade” foi o que o levou a preencher a papelada que Mancuso enviou. “Era para comprar facilidade, mas eu nunca usei”, disse Alex, refletindo sobre o engano.

A reportagem tentou obter um posicionamento oficial de Mancuso, mas a assessoria de imprensa de Alex afirmou que ele já havia se manifestado sobre o caso e não faria mais comentários. Além de Alex, outros nomes conhecidos do futebol brasileiro, como o zagueiro Thiago Silva, Roberto Carlos, Felipe Melo e Paulinho, também foram vítimas desse golpe. Até mesmo jogadores internacionais, como o uruguaio Diego Lugano e o peruano Paolo Guerrero, acabaram se envolvendo na situação.

Quando contatado pela reportagem, Mancuso negou veementemente a existência de qualquer esquema. Ele afirmou que muitos brasileiros o procuravam em busca de informações sobre como conseguir as licenças e que apenas passava o contato da federação para eles. “Eu não estou na federação, eu não sou parte da federação”, disse ele, também negando ter recebido os R$ 100 mil pelas licenças.

Essa situação traz à tona a importância de se verificar a autenticidade de documentos e promessas no mundo do futebol, onde a pressão por resultados e sucesso pode levar a decisões precipitadas. Na prática, muitos ex-jogadores, na busca por uma nova carreira, podem acabar se envolvendo em situações complicadas sem perceber.

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Rafael Souza