Neste último sábado, a seleção brasileira enfrentou a Índia em um amistoso e venceu por 4 a 0. Embora o resultado pareça positivo, a verdade é que o jogo foi bem morno e sem grandes emoções. O time indiano, que ocupa a 139ª posição no ranking da FIFA e nunca disputou uma Copa do Mundo, não conseguiu trazer o desafio esperado para os jogadores brasileiros, que pareciam desinteressados em campo.
Um dos poucos destaques da partida foi o jovem Estêvão, que se destacou em meio à apatia geral. Ele começou a jogada que resultou no primeiro gol ao receber a bola de Matheuzinho, limpou a defesa e chutou com precisão. O goleiro Gurpreet Singh Sandhu, da Índia, não conseguiu defender. Estêvão também foi responsável por uma assistência para o segundo gol, marcado por Samuel Lino, que também contribuiu para a goleada. No entanto, mesmo com esses momentos bons, a impressão geral foi de um jogo sem energia.
Um amistoso com bilhetes caros
Essa partida tinha um significado especial, pois há décadas a seleção brasileira é querida na Índia. Durante as Copas do Mundo, muitos indianos se reúnem para torcer pelo Brasil. Contudo, essa foi a primeira vez que o Brasil jogou no país, e a oportunidade foi um tanto frustrante. O preço dos ingressos, cerca de 200 dólares (mais de R$ 2.600), era muito alto para a média da renda mensal de um indiano, que gira em torno de 270 dólares. Isso resultou em muitos assentos vazios no estádio, e a festa que se esperava ficou longe de acontecer.
A justificativa para esses preços altos parece estar no investimento que a federação de futebol da Índia fez para trazer o Brasil, algo em torno de 500 milhões de rúpias, ou cerca de R$ 27 milhões. No fim das contas, quem pagou a conta foram os torcedores indianos, que ficaram sem a chance de assistir ao seu time do coração.
Reflexões sobre a escolha da CBF
A decisão da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) de realizar esse amistoso na Índia é compreensível, já que muitos indianos têm um carinho especial pela seleção. No entanto, o preço dos ingressos levanta questões sobre a acessibilidade. Em vez de priorizar jogos em países distantes, a CBF poderia ter buscado um meio-termo e jogado em estados brasileiros que nunca receberam a seleção, como Acre e Amapá, ou reaproximar a equipe da torcida em casa.
Além disso, a promessa do presidente da CBF, Samir Xaud, de trazer a seleção para mais jogos no Brasil após a Copa do Mundo ainda não se concretizou. Durante uma declaração, ele afirmou que era um compromisso dele resgatar a conexão com os torcedores, mas isso ainda está no papel.
Como foi o jogo na prática
Durante a partida, ficou evidente a fragilidade da seleção indiana, que raramente conseguiu chegar ao ataque. O Brasil começou o jogo com Vinicius Júnior em destaque, mas ele não teve um bom desempenho e perdeu algumas oportunidades. Estêvão foi quem realmente fez a diferença ao abrir o placar. Nos momentos seguintes, o Brasil até acelerou o ritmo, mas não conseguiu converter essas chances em gols até o fim do primeiro tempo.
Na segunda etapa, a Índia surpreendeu ao se arriscar um pouco mais no ataque, embora não tenha conseguido acertar o alvo com eficiência. O Brasil finalizou com uma performance fraca, com seus principais chutes sendo registrados apenas em momentos isolados, como o gol de Vanderson nos acréscimos.
Foi uma vitória tranquila, mas que deixou um gosto amargo, principalmente pela expectativa que havia em torno do jogo e pela realidade que se apresentou nas arquibancadas.