O empate da seleção brasileira com a Austrália trouxe algumas reflexões para Carlo Ancelotti, mas não é o momento de tirar grandes conclusões. Afinal, esse foi apenas o primeiro teste após a eliminação dolorosa nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026, onde o Brasil foi derrotado pela Noruega. No entanto, o técnico italiano pode enfrentar questionamentos sobre a renovação do meio-campo, um tema que ele mesmo destacou como prioridade.
Após a queda no Mundial, Ancelotti mencionou a Espanha, campeã do mundo, como um exemplo a ser seguido na formação de meias. Ele falou sobre a importância de trabalhar com as categorias de base para descobrir novos talentos para essa posição e demonstrou interesse em testar jogadores diferentes. A convocação para os amistosos contra a Austrália e a Índia trouxe algumas novidades, como Breno Bidon, Douglas Luiz, Gabriel Bontempo e Matheus Martinelli. Contudo, desses, apenas um teve a chance de jogar. No campo, a tão esperada renovação do setor ainda não aconteceu.
Desafios no Meio-Campo
A falta de um meio-campo estruturado foi evidente na partida contra a Austrália. O Brasil teve mais posse de bola, mas enfrentou dificuldades contra um adversário que se defendeu bem, utilizando um esquema 5-4-1. Esse posicionamento dificultou a construção de jogadas brasileiras. A equipe de Ancelotti parecia ter uma formação clara, um 4-2-4 que, na prática, se transformava em um 3-1-6, com Danilo se juntando aos zagueiros na saída de bola e Bruno Guimarães posicionado à frente deles.
Os laterais, Douglas Santos e Matheuzinho, avançavam para dar apoio a Estêvão e Vinícius Júnior, mas isso acabou deixando Guimarães em uma situação complicada. Muitas vezes, ele se via cercado por três australianos e, para tocar na bola, precisava recuar até a defesa. Essa inferioridade numérica no meio-campo exigia que os atacantes buscassem alternativas, como flutuar entre as linhas ou recuar para ajudar na construção das jogadas. Às vezes, Raphinha tentava fazer isso, mas, em geral, os jogadores da frente ficavam fixos na linha defensiva adversária.
Como resultado, Danilo e os zagueiros tinham poucas opções de passe. O Brasil tentou 48 lançamentos durante a partida, mas a eficácia foi baixa, com apenas 19 bem-sucedidos. O capitão Marquinhos reconheceu essa dificuldade após o jogo, destacando que, apesar da posse, a equipe não conseguiu criar muitas oportunidades dinâmicas.
Manutenção da Estrutura
No segundo tempo, o esquema permaneceu o mesmo. Douglas Luiz entrou no lugar de Guimarães, enquanto Danilo jogou os 90 minutos. Essa opção parece ter sido uma continuação da ideia de Ancelotti de criar um time vertical, focado em explorar as habilidades de Vini Jr e Raphinha, em vez de priorizar um meio-campo que, segundo o próprio treinador, está passando por um momento de crise.
Ancelotti admitiu que há uma carência de meio-campistas e que a CBF espera que, nos próximos anos, o Brasil consiga produzir novos talentos para essa posição. O 4-2-4, por sua vez, gerou debates entre os torcedores. Essa formação foi a que melhor funcionou antes da Copa, mas, devido a lesões, o técnico teve que adaptá-la durante o torneio.
Ter mais um jogador no meio-campo poderia ajudar a equilibrar a equipe e melhorar a ocupação do espaço central. Ancelotti já sinalizou que pode voltar a essa formação em futuros jogos, mencionando que a seleção pode alternar entre o sistema atual e um esquema com três meio-campistas.
Além disso, as movimentações dos atacantes precisam ser mais frequentes. Se os jogadores de ataque se movimentassem mais, o Brasil poderia encontrar alternativas para avançar sem depender tanto de passes longos. Após um ano de trabalho com Ancelotti, essas dinâmicas deveriam estar mais aprimoradas.
A formação com inferioridade numérica no meio-campo, que parecia ter sido superada, voltou a ser um ponto de crítica após o empate. Agora, resta saber se mudanças ocorrerão no próximo amistoso contra a Austrália, marcado para a próxima terça-feira. Em outubro, o Brasil ainda enfrentará a Índia para finalizar essa Data FIFA, retornando apenas em novembro para novos desafios.