Athletico vence mais uma na Justiça contra a Ligga por R$ 32 milhões

A disputa entre o Athletico e a antiga patrocinadora Ligga Telecom continua a esquentar. Recentemente, o Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR) decidiu que a Ligga não pode suspender a cobrança de R$ 23,59 milhões em multas contratuais. Essa decisão foi proferida pelo desembargador Naor de Macedo Neto, da 13ª Câmara Cível, e abre caminho para que o Athletico avance na cobrança enquanto a apelação da Ligga ainda está pendente de julgamento.

A Ligga já havia reconhecido uma dívida de R$ 8,42 milhões, que foi depositada e levantada pelo clube. Somando tudo, o valor total em questão ultrapassa os R$ 32 milhões, incluindo custas processuais e honorários advocatícios. O desfecho mais recente vem duas semanas após uma decisão da 12ª Vara Cível de Curitiba, que também não deu razão à Ligga, mantendo a cobrança do Athletico.

### Entenda a Disputa

Esse embate judicial começou com a rescisão do contrato de naming rights da antiga Ligga Arena, que foi oficializada em julho de 2025. O acordo previa um pagamento total de R$ 209 milhões ao longo de 15 anos, mas a Ligga atrasou os pagamentos a partir de setembro de 2024. Por conta disso, em janeiro do ano seguinte, as partes assinaram um instrumento de confissão de dívida, mas a empresa não cumpriu com o que foi acordado e o Athletico notificou a Ligga sobre a rescisão em maio.

O contrato permitia a rescisão após mais de 90 dias de inadimplência, o que foi considerado válido pela Justiça. Além disso, a queda do Athletico para a Série B não foi vista como justificativa para o descumprimento das obrigações financeiras. A multa de R$ 23,59 milhões representa cerca de 11,2% do valor total do contrato.

### O Que Vem a Seguir

Após a decisão de primeira instância, a Ligga recorreu, alegando que a retirada imediata desse montante poderia prejudicar sua liquidez. No entanto, o desembargador analisou o pedido e não encontrou motivos suficientes para suspender a execução da cobrança. A apelação ainda será julgada, mas, enquanto isso, a cobrança pode avançar.

Essa situação deixa o Athletico em uma posição favorável, já que a decisão permite que o clube busque a efetivação do valor devido. E, como se não bastasse, a Ligga também foi condenada a arcar com as custas processuais e honorários advocatícios, que correspondem a 10% do valor atualizado da causa.

### Um Olhar Para o Futuro

É importante lembrar que essa não é a primeira vez que o Athletico se vê envolvido em questões de naming rights. O clube foi pioneiro nesse modelo no Brasil, firmando um contrato em 2005 com a Kyocera, que, na época, trouxe uma nova perspectiva para o mercado esportivo. Essa história de disputas e acordos continua a ser um capítulo interessante na trajetória do Athletico e na evolução do futebol brasileiro.

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Rafael Souza