A passagem de Didier Deschamps pela seleção francesa chegou ao fim de forma conturbada. A derrota de 6 a 4 para a Inglaterra, na disputa pelo terceiro lugar da Copa do Mundo de 2026, deixou um clima tenso entre os jogadores e o técnico. O ambiente no vestiário estava pesado, especialmente após um desentendimento entre Deschamps e o meia Rayan Cherki, que se destacou pela sua postura negativa em campo.
De acordo com o jornal francês “L’Équipe”, o episódio envolvendo Cherki foi um símbolo claro do desgaste na relação entre treinador e jogador. Após a partida, o clima ficou ainda mais tenso com Michael Olise, que se mostrou muito abalado e se culpou pela derrota. É curioso notar como o emocional pode influenciar o desempenho de um time, não é mesmo?
A relação entre Deschamps e Cherki já apresentava sinais de desgaste durante a Copa. Cherki, que teve sua primeira oportunidade como titular justamente na última partida sob o comando de Deschamps, respondeu de forma ríspida a uma orientação do técnico durante uma pausa para hidratação. Esse gesto foi visto como desrespeitoso pela mídia, que não hesitou em comentar o ocorrido. As imagens mostraram Deschamps pedindo para o jogador acelerar a circulação da bola, mas a resposta de Cherki não agradou o treinador, que então decidiu mudar o foco da conversa para outros jogadores.
No intervalo, com a França perdendo de 4 a 0, Cherki foi substituído, junto com outros jogadores, e seu desempenho recebeu críticas severas. O “L’Équipe” deu a ele uma nota de apenas 2, em uma escala de 0 a 10, e ele saiu da competição sem marcar gols ou dar assistências, após passar a maior parte do tempo no banco.
Esse não foi um caso isolado. A relação entre Cherki e Deschamps já vinha se deteriorando desde as oitavas de final, quando a França eliminou a Suécia. Durante a comemoração com os torcedores, Deschamps tentou conversar com Cherki, mas o jogador, aparentemente, ignorou o técnico, desviando o olhar e mudando de direção. Esse momento repercutiu nas redes sociais e foi visto como um dos primeiros sinais de que algo estava errado entre eles.
Enquanto Cherki chamava a atenção pelas críticas, Michael Olise teve uma reação bem diferente após a derrota. O atacante do Bayern de Munique ficou profundamente afetado e assumiu a responsabilidade pelo resultado dentro do vestiário. Ele havia perdido duas chances claras de gol e, após o apito final, foi visto chorando. Deschamps confirmou que conversou com Olise, mas não entrou em detalhes sobre o que foi discutido. Apesar da frustração, Olise teve um desempenho notável na Copa, terminando com sete assistências, superando até mesmo Pelé em um único torneio.
Cherki, por outro lado, deixou o campo de forma bem menos heroica. Após ser substituído, foi visto deitado próximo ao banco de reservas, usando chinelos, simbolizando uma participação frustrante em sua primeira Copa do Mundo. Assim, Deschamps se despediu da seleção francesa após 14 anos, com dois títulos no currículo: uma Copa do Mundo em 2018 e uma Nations League em 2021. O final de um ciclo que, embora repleto de conquistas, também foi marcado por tensões e desafios inesperados.