Desde que a transferência de Kerolin para o Barcelona foi anunciada, o mercado do futebol feminino ficou agitado com os novos valores dessa negociação. O contrato de quatro anos da atacante, que inclui bônus, é avaliado em 1,2 milhão de euros — cerca de R$ 7 milhões. Isso fez dela a maior transação de uma jogadora brasileira até agora.
Além disso, Kerolin se tornou a maior venda da história do Manchester City e a maior compra do Barcelona no futebol feminino, ocupando também a quarta posição nas transferências mais valiosas do mundo. Mas não é só ela que está chamando a atenção. As jogadoras brasileiras têm se destacado em negociações ao redor do globo. Um levantamento recente mostrou que, desde 2024, os valores das transferências de nossas atletas aumentaram cerca de 170%.
Esse movimento começou a ganhar força há dois anos, quando a zagueira Tarciane deixou o Corinthians para jogar no Houston Dash, da National Women’s Soccer League (NWSL). Na época, a transferência foi de cerca de R$ 2,6 milhões. Pouco tempo depois, a atacante Priscila assumiu o título de transferência mais cara ao trocar o Internacional pelo América, no México, por R$ 2,8 milhões.
Em 2025, o cenário se intensificou, com recordes consecutivos de transferências. Tarciane voltou a liderar a lista após uma temporada de destaque na liga norte-americana, mudando-se para o Lyonnes por 960 mil dólares, o que equivalia a R$ 4,9 milhões na época. Mas foi Amanda Gutierres que, também em 2025, se destacou ao ser negociada pelo Palmeiras com o Boston Legacy por 1,1 milhão de dólares, cerca de R$ 5,6 milhões.
A chegada de Kerolin ao Barcelona elevou o mercado de transferências de jogadoras brasileiras a um novo patamar, resultando em um aumento de 173,1% em relação ao valor da negociação de Tarciane. Esse crescimento não se limita apenas a números. O futebol feminino tem se tornado mais profissional, recebendo investimentos significativos de clubes e patrocinadores, além de um desenvolvimento nas categorias de base. A visibilidade das competições também aumentou, com mais transmissões em várias plataformas, incluindo TV aberta.
Kerolin, além de suas habilidades em campo, demonstrou entender como sua imagem pode gerar ações comerciais. Isso é importante para conectar os fãs ao esporte e atrair uma nova geração de torcedores que busca se sentir representada no futebol. Um exemplo disso é Alexia Putellas, que, com sua carreira vitoriosa no Barcelona e como campeã mundial pela Espanha, se tornou um ícone não apenas no esporte, mas também na moda e na publicidade, fazendo parcerias com grandes marcas.
Tanto Kerolin quanto Putellas chegaram a participar de uma campanha global da Nike junto com Vini Jr. e Cristiano Ronaldo em 2026. A brasileira também se destacou em uma campanha da Coca-Cola relacionada à Copa do Mundo de 2027.
Um relatório da Fifa, divulgado em janeiro de 2026, revelou que o mercado de transferências no futebol feminino continuou a crescer, com 2.440 transações — um aumento de 6,3% em relação ao ano anterior. O Brasil se destacou como líder na América do Sul, com 15 transferências e outras seis jogadoras deixando o país. Em 2025, mais de 750 clubes estiveram envolvidos em transferências internacionais, refletindo um aumento na profissionalização das jogadoras.
O futebol feminino está passando por uma transformação significativa, e as brasileiras estão, sem dúvida, desempenhando um papel fundamental nesse cenário em expansão.