Michael Carrick está acompanhando todo o processo envolvendo o Manchester City e a Premier League de uma forma bastante pessoal. Ele não é apenas o técnico do Manchester United, mas também foi jogador naquela temporada de 2011/12, quando o City conquistou o título inglês de forma dramática, ganhando no saldo de gols. Para Carrick, essa questão vai além do campo, pois ele mesmo viveu a frustração daquela derrota.
Quando perguntado sobre as recentes condenações do City por violações financeiras, Carrick não escondeu que a situação o afeta de maneira íntima. “É difícil dizer de várias maneiras. Isso levantou muitas perguntas. O processo continua e há um limite para o que posso dizer”, comentou ele. Ao mesmo tempo, ele entende que sua perspectiva é um pouco diferente da de outros técnicos que estão apenas observando a situação de fora. “Tenho minhas próprias perguntas sobre isso porque me afetou pessoalmente. Vamos ter que ver como tudo se desenrola. Quanto mais cedo isso for resolvido para todos, melhor.”
O título de 2011/12 é um ponto crítico nesse debate. Naquela temporada, tanto o Manchester United quanto o Manchester City terminaram com 89 pontos, mas o City levou a taça devido ao saldo de gols. Na última rodada, enquanto o United vencia o Sunderland, o City virou um jogo complicado contra o Queens Park Rangers nos acréscimos, com o famoso gol de Sergio Agüero que ficou marcado na história da Premier League.
Carrick, no entanto, não se deixou levar por especulações sobre a possibilidade de o Manchester United receber aquele título. Para ele, existem coisas que não podem ser recuperadas, independentemente do que acontecer no futuro. “A sensação que todos buscamos é a de terminar por cima. O que aconteceu no passado aconteceu”, afirmou. Ele reflete que, mesmo que alguma decisão futura altere o campeão de 2011/12, isso não mudaria a experiência vivida naquele momento.
Quando questionado diretamente sobre a possibilidade de uma mudança no resultado daquela temporada, Carrick pediu cautela. “Não muda como você se sentiu naquele momento. Você não pode voltar atrás. Mesmo se acabássemos recebendo um troféu, isso não mudaria aquele momento. Não podemos recuperá-lo”, disse. Para ele, a conquista vivida dentro de campo é o que realmente importa, e uma medalha recebida anos depois não pode substituir a emoção de vencer na hora.
Carrick também enfatizou a necessidade de que o processo se resolva rapidamente. Ele acredita que a situação atual é inédita no futebol inglês e que todos os envolvidos precisam entender quais serão as consequências. Sua postura mostra que, independentemente de um eventual benefício ao Manchester United no futuro, nada pode recriar a emoção daquele dia 13 de maio, quando o gol de Agüero mudou o rumo do campeonato nos últimos instantes.