Carrick tem culpa? Entenda o papel da diretoria no caso

A goleada de 4 a 1 sofrida pelo Manchester United contra o Como, na última quarta-feira, acendeu um sinal vermelho para o clube. Com apenas duas vitórias em 11 jogos na temporada 2026/27, os Red Devils enfrentam um começo de temporada bem complicado. A equipe tem mostrado performances preocupantes, com falhas na defesa e uma dificuldade alarmante de reagir quando o adversário toma a iniciativa.

Michael Carrick, que foi promovido a técnico após uma fase final promissora na última temporada, agora se vê pressionado. Mas é bom lembrar que não dá para colocar toda a culpa nele. É verdade que Carrick tem suas falhas, como a falta de organização tática e a dificuldade em ajustar a equipe durante os jogos, mas também é preciso olhar para a diretoria. O planejamento de mercado, as lacunas no elenco e a instabilidade que o clube enfrenta são questões que precisam ser discutidas.

Desempenho em Queda

A derrota para o Como deixou claro os problemas que Carrick precisa enfrentar. Sofrer um gol logo no começo do jogo, como aconteceu com Nico Paz aos dois minutos, é sempre um sinal de que algo não está certo. E isso se tornou ainda mais grave quando consideramos que o Manchester United também levou um gol no primeiro minuto em sua partida anterior contra o Atlético de Madrid. Não é apenas azar; é um sinal de que a equipe não consegue entrar em campo concentrada.

Além disso, a fragilidade defensiva é um ponto que Carrick precisa resolver urgentemente. O meio-campo não está protegendo a defesa como deveria, e isso gera buracos que os adversários sabem explorar. No jogo contra o Como, por exemplo, os italianos conseguiram avançar com facilidade, e o United não tinha criatividade suficiente para mudar a situação. Quando a equipe precisava reagir, parecia que as iniciativas dependiam apenas da vontade individual de alguns jogadores.

Expectativas e Realidade

Quem acompanhou a reta final da temporada passada, quando Carrick assumiu interinamente e levou o time à Champions League, sabia que ele tinha potencial. Mas agora, o desafio é muito maior. É preciso estabelecer padrões de jogo e corrigir problemas que se repetem. Até agora, Carrick não mostrou ter as respostas necessárias. E, embora as lesões tenham um papel nas dificuldades enfrentadas, não justificam a desorganização que o time tem demonstrado.

A responsabilidade dos jogadores também deve ser considerada. A falta de intensidade, erros de posicionamento e a dificuldade em manter a concentração são problemas que comprometem qualquer estratégia. Um time pode ter suas limitações, mas ainda precisa ter disciplina e competitividade. Em várias ocasiões, o United pareceu aceitar a superioridade do Como, sem mostrar qualquer vontade de mudar o rumo da partida.

Diretoria em Foco

Se Carrick é responsável pelo que acontece em campo, a diretoria do Manchester United tem um papel fundamental em como o clube chegou a esse ponto. A recente janela de transferências trouxe reforços para o meio-campo, mas deixou a defesa vulnerável. Investir em jogadores de qualidade não é suficiente se as prioridades não forem equilibradas.

O desabafo de Lisandro Martínez após a derrota contra o Atlético de Madrid trouxe à luz uma insatisfação que vai além do trabalho do treinador. O zagueiro expressou suas preocupações sobre as constantes mudanças na comissão técnica e a falta de investimento em áreas críticas. Ele também reconheceu que os jogadores precisam fazer mais. Essa declaração é importante porque destaca a percepção de que a direção não está oferecendo as condições necessárias para competir, ao mesmo tempo em que reconhece a responsabilidade dos atletas em campo.

A instabilidade do United não começou com Carrick e não vai desaparecer só com a sua saída. Desde o fim da era de Sir Alex Ferguson, o clube passou por várias mudanças de técnico, alternando entre períodos de recuperação e quedas de rendimento. Trocar de treinador pode trazer uma reação imediata, mas sem uma estrutura sólida, os efeitos tendem a ser passageiros.

Carrick, claro, não está livre de responsabilidade. Se ele não conseguir corrigir a postura defensiva e a falta de soluções ofensivas, sua permanência no cargo pode se tornar insustentável. Mas demiti-lo sem avaliar os erros de planejamento seria repetir uma fórmula que já demonstrou não funcionar.

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Rafael Souza