Recentemente, no podcast “Futebol em Contexto”, o colunista da Trivela, Allan Simon, trouxe à tona uma estratégia interessante da CBF: posicionar a Copa do Brasil como um torneio mais valioso do que a Libertadores, especialmente no que diz respeito ao mercado de transmissões. Ao lado de Tim Vickery, ele explicou como a entidade mudou a forma de negociar os direitos do torneio, sem depender exclusivamente da Globo, como fez a Conmebol com a Libertadores. Essa nova abordagem se baseia na garantia de que os grandes clubes brasileiros participam desde as fases iniciais do campeonato.
Mudança na negociação dos direitos de transmissão
Historicamente, a Libertadores era vista como a competição mais importante, em parte porque a Copa do Brasil sempre foi tratada como um ativo intocável da Globo. Allan ressaltou que essa dinâmica mudou com a nova gestão da CBF. Ele comentou que, sob a direção de Samir Xaud, a CBF decidiu ouvir diferentes emissoras — como SBT, Record, TNT e até a Amazon, que recentemente comprou os direitos com a ESPN. Contudo, a Cazé TV ficou de fora, já que a CBF não tem uma relação amigável com a LiveMode.
O novo contrato e a presença dos grandes clubes
Um dos pontos destacados por Allan é que o novo contrato da Copa do Brasil, que vale mais de R$ 1 bilhão por ano, é um argumento forte para a CBF afirmar que o torneio vale mais que a Libertadores. Ele explicou que a Copa do Brasil, com seu formato eliminatório, garante que os grandes times estejam sempre presentes, ao contrário da competição continental, onde nem sempre todos os gigantes do futebol brasileiro estão em campo.
“Na visão da CBF, a Copa do Brasil é uma competição emocionante desde o início, onde os grandes times sempre jogam”, comentou Allan. Para ele, a mudança no regulamento, que permite aos times da Série A entrarem na quinta fase, assegura que não haverá mais grandes clubes de fora da disputa.
Reflexão sobre a mudança de regulamento
Allan também mencionou um episódio que causou polêmica: o Santos ficou de fora da edição de 2024, após um rebaixamento no Brasileirão e uma campanha abaixo do esperado no estadual. Ele descreveu essa decisão como “um absurdo”. A intenção da CBF, segundo Allan, é fazer com que a Copa do Brasil seja vista como uma competição repleta de grandes times, o que, em sua opinião, é uma tentativa de valorizar o torneio.
A emoção do formato mata-mata
Outro ponto interessante que Allan trouxe à tona foi o apelo emocional do formato eliminatório da Copa do Brasil. Ele acredita que essa característica é o que realmente sustenta a valorização do torneio a médio prazo, especialmente em comparação com o Campeonato Brasileiro, que segue o formato de pontos corridos. “A emoção que a gente gosta vem do mata-mata”, ressaltou. Para ele, a Copa do Brasil continuará a ser a competição que traz essa adrenalina e emoção que os torcedores tanto apreciam.