Neste último sábado, o Arsenal venceu o Everton por 2 a 0, e o que chamou a atenção foi a mudança no estilo de jogo da equipe. Sob o comando de Mikel Arteta, o time não busca mais transformar cada partida em um show de ataques, mas sim controlar o jogo de forma mais estratégica. Essa nova abordagem pode ser resumida em uma palavra: controle.
Arteta, com seu jeito de treinador, já enfrentou críticas por essa mudança. Alguns torcedores até chamam o time de “chato” devido ao seu futebol mais paciente e, em certos momentos, até previsível. Mas essa nova filosofia tem sua razão de ser. O técnico percebeu que, para conquistar a Premier League, não basta apenas fazer muitos gols; é preciso dominar o jogo de maneira mais eficiente.
Nos últimos dois anos, o Arsenal mostrou que pode sufocar adversários e marcar muitos gols, mas, mesmo assim, não conseguiu conquistar o título. As temporadas 2022/23 e 2023/24 revelaram um time capaz de estabelecer marcas impressionantes, mas que ainda assim terminou sem troféus. Essa experiência trouxe aprendizados valiosos.
A transformação no estilo de jogo começou a se consolidar na temporada 2024/25. O foco passou a ser não apenas a criação de oportunidades, mas também a preocupação com o que acontece quando a posse de bola é perdida. O objetivo é deixar o jogo menos caótico e mais controlado.
No início, os resultados não foram exatamente como Arteta esperava. O Arsenal perdeu espaço na briga pelo título para o Liverpool, mas, ao mesmo tempo, a equipe começou a amadurecer. Jogadores que antes eram jovens promessas agora estão mais experientes e familiarizados com o sistema de jogo.
Um aspecto interessante dessa nova abordagem é a forma como a bola circula entre os jogadores. Em vez de buscar uma jogada vertical imediata, o Arsenal tem formado uma espécie de “ferradura” em torno do adversário, trocando passes de forma metódica e desgastando a defesa rival. Embora isso possa parecer menos emocionante, a intenção é fazer o oponente correr sem a bola e, assim, encontrar o momento certo para acelerar o jogo.
Um detalhe que costuma passar despercebido é que, ao manter a posse de bola por mais tempo, o Arsenal também diminui a necessidade de defender. Quando perde a bola, a equipe se posiciona defensivamente, dificultando a vida do adversário. Essa segurança na defesa justifica a disposição de Arteta em aceitar críticas sobre o estilo menos emocionante de jogo.
No entanto, essa nova configuração ainda enfrenta desafios, especialmente no meio-campo. Declan Rice e Bruno Guimarães são dois jogadores de qualidade, mas ambos têm a tendência de avançar e participar das jogadas ofensivas. Durante o jogo contra o Bayern de Munique, por exemplo, Rice se destacou, enquanto Bruno ficou um pouco exposto em momentos de transição.
Uma solução para esse dilema pode ser a inclusão de Myles Lewis-Skelly, que tem um estilo diferente e pode ajudar a equilibrar a equipe, oferecendo proteção ao espaço deixado pelos companheiros. Essa mudança poderia ser uma estratégia para evitar que os dois meio-campistas avancem juntos e deixem brechas na defesa.
Para a partida contra o Everton, Arteta pode considerar mudanças na escalação, com a entrada de jogadores como Viktor Gyökeres, Lewis-Skelly e Ben White. Essas opções podem ajudar a ajustar a equipe e manter o controle desejado.
No fim das contas, o Arsenal já provou que pode ter um futebol vibrante e marcar muitos gols. O que Arteta aprendeu com as frustrações passadas é que, para lutar pelo título, é crucial reduzir as situações em que o jogo foge do controle. Essa mudança pode tornar o time menos caótico e, em certos momentos, menos divertido de assistir, mas para quem já viu o Arsenal tentando encantar sem sucesso, essa nova abordagem de controle pode ser o caminho certo.