A Copa do Mundo de 2026 entrou para a história de várias maneiras. Foram 48 seleções jogando, um recorde de 104 partidas e três países como anfitriões. A final entre Espanha e Argentina trouxe grandes emoções, mas o que realmente fez barulho foi que essa edição foi a primeira desde 1970 sem a Globo no controle total das transmissões no Brasil. E isso é significativo! A Globo, que começou a transmitir as Copas em 1970, sempre teve uma presença marcante, especialmente entre 2002 e 2018, quando deteve a exclusividade em todas as mídias.
Durante esses anos, quem queria ver a Copa tinha que sintonizar na Globo, que também sublicenciava alguns jogos para outras emissoras, como a Band. O último título do Brasil, em 2002, foi transmitido apenas por ela e pelo sportv. No entanto, em 2020, no meio da pandemia, a Globo decidiu renegociar seu contrato com a FIFA, abrindo mão da exclusividade digital e de metade dos jogos de 2026. Essa mudança foi um divisor de águas.
Com isso, a LiveMode se aproximou da FIFA e, em 2022, surgiu a CazéTV, uma parceria que trouxe jogos da Copa do Mundo para o YouTube. A CazéTV conseguiu transmitir todos os 104 jogos de 2026, sendo quase metade com exclusividade. Para quem acompanhou de perto, ficou claro que a Globo não teria a liberdade de escolher todos os melhores jogos, precisando dividir essa tarefa com a LiveMode.
As estreias de seleções como Alemanha, Portugal, Argentina e Espanha foram eventos a parte, todas transmitidas exclusivamente pela CazéTV. Isso causou espanto em muitos que achavam que a Globo sempre teria controle total. O jogo da Alemanha, por exemplo, foi incrível e, mesmo assim, trouxe surpresas: Portugal empatou com a República Democrática do Congo e a Espanha teve um 0 a 0 com Cabo Verde, onde um goleiro desconhecido, Vozinha, se destacou e ganhou milhões de seguidores nas redes sociais.
Enquanto isso, a Argentina fez uma estreia arrasadora, com Messi brilhando. E tudo isso sem uma única narração da Globo. A emissora, percebendo que o cenário estava mudando, tentou usar sua influência para manter a narrativa sob controle, mas os números mostravam que a audiência estava se dispersando. O sportv, que sempre teve um papel forte nas transmissões esportivas, começou a perder espaço.
Além disso, a Globo enfrentou a concorrência do SBT, que trouxe Galvão Bueno de volta para narrar jogos. O SBT não transmitia uma Copa desde 1998 e, agora, estava de volta, tirando pontos valiosos da Globo em São Paulo.
A CazéTV, por sua vez, quebrou recordes de audiência. Durante o jogo do Brasil contra a Croácia, por exemplo, 7 milhões de aparelhos estavam conectados simultaneamente. Em 2026, esse número subiu para mais de 21 milhões quando o Brasil jogou contra o Japão. E mesmo após a eliminação do Brasil, a CazéTV continuou a quebrar recordes com jogos como Noruega x Inglaterra e Espanha x França.
É visível que a mídia esportiva está em transformação. A Globo, ao perceber a nova dinâmica, deve repensar suas estratégias para não perder mais espaço. A próxima negociação para os direitos da Copa de 2030 já está em andamento, e há uma expectativa de que a FIFA possa replicar o modelo da Copa do Mundo Feminina de 2027, que terá direitos compartilhados.
Com tudo isso, a corrida pelos direitos de transmissão promete ser acirrada. A CazéTV já conquistou a Eurocopa de 2028 e, com a Disney e a TNT Sports também entrando na disputa, o cenário da mídia esportiva no Brasil deve mudar bastante nos próximos anos. É uma nova era, e todos estão de olho no que vem pela frente.