O técnico da seleção inglesa, Thomas Tuchel, não hesitou em mandar um recado direto a Cole Palmer, que foi cortado do time na Data FIFA. Tuchel comentou que o jogador “perde oportunidades demais”, referindo-se não só a esta convocação, mas também a lesões que já o afastaram de outras competições, como a Copa do Mundo. É importante lembrar que Palmer, que atua pelo Chelsea, já havia sido deixado de fora por opção técnica do treinador.
Essa situação gerou bastante repercussão na Inglaterra, especialmente em um evento do sindicato mundial dos atletas, a Fifpro. O presidente-executivo do sindicato dos jogadores de futebol da Inglaterra, Maheta Molango, destacou que Palmer é uma vítima do calendário apertado de competições, o que deve acender um alerta para todos. Ele enfatizou que a saída do jogador não se deve a uma escolha dele, mas sim às exigências do calendário, que tem levado muitos atletas ao limite.
Molango também citou outros jogadores, como Marcus Rashford e Declan Rice, que também tiveram que deixar a seleção por problemas físicos. Ele se questionou sobre o que está acontecendo no futebol, já que ser convocado é um dos maiores orgulhos para um jogador. Na última temporada, Palmer enfrentou seis lesões diferentes e perdeu 26 jogos entre clube e seleção, o que é bastante significativo. Com apenas 24 anos, ele não teve férias completas por três temporadas seguidas, competindo em torneios como a Eurocopa sub-21 e o Mundial de Clubes.
No Chelsea, Palmer está sob controle de carga, uma estratégia para prevenir novas lesões. Molango criticou a situação, mencionando que, se ele tivesse jogado na Copa do Mundo, seria a quarta temporada consecutiva sem descanso. Essa realidade levanta questões sobre a saúde e o bem-estar dos jogadores.
O presidente da PFA também respondeu a Tuchel, afirmando que “não se pode driblar a biologia”. Os jogadores adoram representar suas seleções, mas o corpo tem limites. Ele citou outros atletas que também foram cortados de suas seleções, como Kai Havertz e Kylian Mbappé, para ilustrar que essa não é uma situação isolada.
Molango propôs que os jogadores tivessem obrigatoriamente três semanas de férias ao final de cada temporada e mais três semanas para preparação física. Atualmente, o calendário é tão apertado que raramente há espaço para um intervalo adequado, e isso preocupa bastante. Ele questionou se esse é realmente o tipo de futebol que queremos, onde os jogadores, que nos fazem sonhar, estão cada vez mais afastados dos campos.
Durante o mesmo evento, Rebecca Caplehorn, diretora de futebol da Premier League, expressou seu apoio à ideia de férias para os jogadores, mas reconheceu que, na prática, isso é muito complicado. Segundo ela, o calendário atual não permite que haja um intervalo de seis semanas. Sem mudanças nas regras e na programação, essa proposta é difícil de implementar.
Enquanto isso, o futebol continua a crescer em ritmo acelerado, com as entidades responsáveis expandindo competições. A UEFA ampliou a Champions League e a Liga das Nações, enquanto a FIFA aumentou o número de seleções na Copa do Mundo e planeja fazer o mesmo na Copa do Mundo de clubes. E, no meio disso tudo, os jogadores, que são o coração do esporte, estão longe das decisões que afetam suas carreiras e bem-estar.