Domínio do Brasil na Libertadores é diferente do argentino no passado

Na última quinta-feira, eu acabei me atrasando para fazer a inscrição no credenciamento do jogo entre Flamengo e Independiente del Valle, válido pela Libertadores. Para ser sincero, um pouco de preguiça me pegou, e o frio só ajudou a congelar minhas ideias. Além disso, acreditei que o Flamengo iria resolver tudo no jogo de ida, e, na verdade, foi isso que aconteceu com uma vitória de 2 a 0.

O primeiro tempo foi tenso, com dois momentos cruciais. Um deles foi o voleio do atacante paraguaio Charly Gonzalez, que acertou a trave do goleiro Rossi. Poucos minutos depois, o próprio Gonzalez se machucou e teve que deixar o campo no intervalo. Isso mudou um pouco o panorama da partida.

Até pouco tempo atrás, o Independiente del Valle contava com um jovem atacante promissor, o Juan Riquelme Ângulo. Ele, que tem apenas 18 anos e é forte e habilidoso, foi vendido para o Sunderland, da Premier League. Essa venda mostra a prioridade do clube equatoriano em negociar jogadores, que muitas vezes fica à frente de conquistar títulos. E, para muitos clubes da América do Sul, essa é uma realidade comum.

A Libertadores, que agora se estende por todo o ano desde 2017, tende a favorecer os clubes mais fortes e a deixar os mais fracos em uma situação delicada. Isso acontece porque, com a janela de transferências, os times mais potentes, como o Flamengo, conseguem contratar bons jogadores, enquanto clubes como o Independiente del Valle acabam vendendo seus talentos. Recentemente, o Flamengo também trouxe Anthony Valencia, que começou sua carreira no Del Valle.

Não estou criticando a mudança feita em 2017, mas é inegável que a situação atual traz um domínio dos clubes brasileiros. A Conmebol parece não ver isso como um grande problema, talvez porque o mercado brasileiro esteja satisfeito com esse domínio. No Brasil, a vitória é celebrada, e a falta de adversários é um tema recorrente. E, claro, existem adversários, mas são os próprios grandes clubes brasileiros.

Esse assunto sempre gera reações intensas. Muitos se lembram de quando a Libertadores era dominada por clubes argentinos, mas as diferenças são significativas. O Brasil já venceu a competição sete vezes seguidas e está a caminho da oitava — algo sem precedentes. A Argentina teve períodos de domínio, mas nunca algo tão extenso. Naquela época, o formato da competição permitia que o campeão mantivesse suas chances, e havia mais candidatos ao título, como os clubes brasileiros e os uruguaios.

Hoje em dia, fica difícil imaginar como outros times possam competir com o Flamengo e seus rivais. É verdade que, no futebol, tudo pode acontecer, e sempre existe a chance de uma zebra, mas isso geralmente depende mais da raça dos jogadores do que da técnica.

A maior esperança do restante da América do Sul parece ser o River Plate. Embora esteja passando por um momento difícil — não se classificou para a Libertadores e foi eliminado da Sul-Americana pelo Santa Fe, da Colômbia —, tem um estádio que combina com sua grande tradição e capacidade. No entanto, o River também perdeu seu melhor talento, o meia-atacante Joaquin Freitas, que agora está ajudando o Flamengo. E assim, a tarefa fica ainda mais complicada para quem tenta se igualar ao domínio brasileiro.

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Rafael Souza