Nesta sexta-feira, o Parc des Princes vai ser o cenário de um duelo bastante esperado na terceira rodada da Ligue 1. De um lado, temos o Paris Saint-Germain, que se consolidou como uma das potências do futebol mundial nos últimos anos. Do outro, está o Monaco, que vem embalado com quatro vitórias em quatro jogos desde a chegada do treinador Filipe Luís, que já começou a imprimir sua identidade na equipe.
O PSG, atual campeão francês e bicampeão da Champions League, mantém a base que o tornou tão forte no cenário europeu. Por outro lado, o Monaco, ainda em fase de construção, chega como líder da Ligue 1, somando seis pontos e sem ter sofrido gols em suas duas primeiras partidas. Isso não quer dizer que o Monaco seja favorito, mas é um momento interessante para Filipe Luís, que está prestes a enfrentar seu primeiro grande desafio na Europa.
Filipe já conhece bem o PSG, tendo enfrentado Luis Enrique na final da Copa Intercontinental de 2025, onde o espanhol elogiou a coragem e o estilo de jogo do brasileiro. O que mais impressiona no começo do trabalho de Filipe Luís no Monaco é a rapidez com que suas ideias começaram a se materializar em campo. Ele já conquistou quatro vitórias em quatro jogos, incluindo os que garantiram a classificação para a fase de grupos da Conference League.
Filipe Luís chegou ao Monaco com uma filosofia clara, baseada em posse de bola, pressão alta e rápida recuperação da bola. Embora o Monaco ainda não tenha o mesmo desempenho do Flamengo que ele comandou, já dá para notar alguns princípios de seu estilo de jogo. Ele quer um time agressivo que saiba pressionar e, ao mesmo tempo, se defender bem. Os resultados já estão aparecendo: foram duas vitórias na Ligue 1 e zero gols sofridos.
Um exemplo claro disso foi a vitória por 2 a 0 sobre o Marseille, onde o Monaco não precisou ter a posse de bola para dominar o jogo. Soube pressionar, proteger os espaços e escolher os momentos certos para acelerar o jogo. O atacante Paris Brunner, que fez os dois gols, é um reflexo dessa nova abordagem: ele não é apenas um finalizador, mas também participa da defesa e dificulta a saída de bola do adversário.
Outra característica interessante do Monaco é sua flexibilidade tática. O time pode começar em um 4-3-3, mas tem a capacidade de mudar para um 4-4-2 durante a partida, adaptando-se às necessidades do momento. Isso é fundamental para enfrentar um PSG que também gosta de mudar suas formações e manipular os espaços em campo.
Filipe sabe que não é fácil impedir o PSG de ter a bola, pois poucos times conseguem manter esse controle por 90 minutos. O desafio é evitar que a posse do PSG se transforme em domínio territorial e em oportunidades claras de gol. Os momentos críticos podem ocorrer logo após a perda da bola. Se o PSG recuperar rapidamente, o Monaco pode se ver encurralado. Mas se conseguir escapar da pressão inicial, pode encontrar bons espaços para atacar.
Jogadores como Lamine Camara são essenciais nesse plano. Ele não é apenas um volante; pode receber a bola, avançar e quebrar linhas, ajudando na construção do ataque. Ao lado de Denis Zakaria, Camara forma uma dupla equilibrada, capaz de proteger a defesa e ainda participar da ofensiva. A missão será limitar a liberdade de jogadores como Vitinha, que podem ditar o ritmo do jogo.
Embora o PSG ainda seja considerado o melhor time, ele também está em busca de seu melhor ritmo. O início da temporada tem sido irregular, e isso pode ser uma janela de oportunidade para o Monaco. O PSG sofreu gols em suas últimas partidas e precisou correr atrás do resultado — um cenário incomum para eles.
Filipe Luís não precisa ganhar para validar seu trabalho, mas este jogo pode ser uma grande chance de mostrar que suas ideias funcionam até mesmo contra um adversário tão forte. O Monaco não vai a Paris para provar que é melhor, mas para ver até onde consegue manter sua identidade diante de um rival poderoso. E, pelo que demonstrou até agora, Filipe não pretende abrir mão de sua filosofia de jogo.