Na última semana da Copa do Mundo de 2026, o podcast Carneiro & Mafuz trouxe um episódio especial. Os jornalistas Carneiro Neto e Augusto Mafuz receberam o fotógrafo Sérgio Sade, que teve a oportunidade de estar presente em duas edições do Mundial: em 1974 e 1986. Durante a conversa, Sérgio compartilhou uma história incrível que aconteceu no México, sua segunda Copa do Mundo.
Ele contou como, apesar do rigoroso protocolo da FIFA, conseguiu driblar as dificuldades e fazer uma foto inesquecível de Diego Armando Maradona, o famoso camisa 10 da Argentina, que conquistou seu primeiro título naquela competição. “Tive muita sorte. Para um fotógrafo, entrar em campo não é fácil. A FIFA prioriza as equipes que estão jogando e, depois, os fotógrafos do país-sede, seguidos pelos grandes jornais e agências. É uma verdadeira batalha por esse credenciamento”, relembra Sérgio.
No dia 29 de junho, ele estava entre os muitos profissionais brasileiros no Estádio Azteca, acompanhando a final entre Argentina e Alemanha Ocidental. Porém, Sérgio tinha um trunfo: uma boa relação com Guido Tognoni, um ex-assessor da FIFA. “O Guido estava ficando maluco com a pressão dos brasileiros que queriam entrar em campo. Ele me chamou e pediu para distribuir coletes para os fotógrafos do Brasil. Acabei dando coletes para a Veja, Placar, O Globo e outros veículos”, conta.
Enquanto caminhava entre a área de distribuição e as cabines de imprensa, Sérgio reencontrou Guido e notou que ele tinha coletes brancos, diferentes dos amarelos e vermelhos que estavam sendo distribuídos. “Percebi que poderia ser uma chance. Um dos fotógrafos do Japão não estava aparecendo para pegar o colete. Então, pedi a ele: ‘Guido, me dá esse colete aí’. Ele me entregou e fui direto para a tribuna de honra”, explicou.
Essa jogada de mestre foi crucial para que Sérgio conseguisse registrar um momento histórico. Ele não precisou descer até o campo, onde estavam os outros brasileiros. Após a final, Maradona subiu à tribuna de honra para exibir a taça e, por sorte, Sérgio estava lá para capturar o momento. “Não consegui fotografar o jogo em si, pois estava longe. Mas, quando Maradona levantou a taça, eu estava na posição perfeita. Essa foto acabou virando a capa da Placar”, finaliza.
Esse relato traz uma perspectiva bem interessante sobre os bastidores de um evento tão grandioso e a capacidade de contornar desafios com bom relacionamento e um pouco de astúcia.