França ofensiva na Copa: mudanças podem ocorrer, diz história

O técnico da seleção francesa, Didier Deschamps, sempre teve a fama de ser um pouco conservador em seu estilo de jogo. E não é por acaso. Essa abordagem já levou a França a duas finais de Copa do Mundo, com uma vitória no meio do caminho. Mas para 2026, ele parece estar optando por uma estratégia mais ousada.

Após a Eurocopa de 2024 e no início das Eliminatórias, Deschamps decidiu mudar. Ele abandonou a ideia de escalar um terceiro meio-campista, especialmente agora que Antoine Griezmann se aposentou. Em vez disso, ele está apostando em um esquema que se aproxima de um 4-2-4, com quase quatro atacantes em campo. Kylian Mbappé se posiciona como um atacante, mas com liberdade para se mover por diferentes áreas do campo. Ao lado dele, temos Désiré Doué, que está à esquerda, e se não fosse pela grave lesão de Hugo Ekitiké, ele também estaria contribuindo. Ousmane Dembélé e Michael Olise se revezam entre atuar como o 10 e a ponta direita.

Mas, com um esquema tão atacador, a questão é: será que essa formação vai funcionar? Dembélé, que é um dos nomes mais importantes do time, está enfrentando um momento complicado. Apesar de ter sido fundamental na conquista da Champions League pelo PSG, ele chegou à seleção em um estado físico preocupante. No amistoso contra a Irlanda do Norte, ele teve uma atuação bem abaixo do esperado, com apenas 37 toques na bola durante mais de uma hora de jogo.

Deschamps comentou que aquele jogo foi basicamente para Dembélé recuperar o ritmo. Na estreia da Copa do Mundo contra o Senegal, ele começou novamente como meia, uma função diferente da que costuma desempenhar em seu clube. O resultado? Ele ficou pouco envolvido e acabou não ajudando o time a criar chances claras para Mbappé.

Após o intervalo, o técnico fez algumas alterações, mudando as posições de Olise e Dembélé. Essa mudança parece ter dado resultado, pois Olise conseguiu colocar Mbappé em boas posições para finalizar. No entanto, Dembélé teve uma performance discreta, sem finalizações e com apenas 26 passes certos. Ele acabou sendo substituído por Bradley Barcola, que rapidamente fez seu nome ao marcar um lindo gol.

A pressão para que Dembélé seja substituído tem aumentado na mídia francesa. E isso levanta a questão: quem poderia entrar em seu lugar? Apesar da vitória por 3 a 2, a França teve muitos momentos em que deixou o Senegal criar chances, o que pode ser preocupante. Neste contexto, a adição de um meio-campista a mais ao lado de Rabiot e Tchouaméni poderia trazer mais equilíbrio à equipe.

Histórias passadas mostram que Deschamps já fez isso antes. Em 2018, ele encontrou a formação ideal ao escalar Blaise Matuidi como um meia que flutuava para dentro, ajudando a equilibrar o time e permitindo que jogadores como Mbappé brilhassem. Na última Copa, a estrutura já estava mais definida, com Griezmann atuando como um meio-campista à direita, o que deu mais liberdade para Mbappé.

Deschamps não tem medo de fazer mudanças, mesmo que isso signifique tirar um atacante para garantir que o time esteja mais equilibrado. Fica a expectativa para ver se ele fará ajustes semelhantes em 2026. A próxima partida, contra o Iraque, acontece na segunda-feira (22) e pode ser decisiva para a classificação da França para a fase de 16 avos.

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João Ribeiro