A situação em torno das partidas entre Israel e Irlanda, válidas pela Liga das Nações, está gerando um clima de tensão e controvérsia. O primeiro jogo acontecerá no domingo (27), em um estádio neutro, e a ausência de torcedores visitantes e a cobertura reduzida pela mídia refletem o desconforto com o cenário atual.
Essa escolha de adversários não é simples. Recentemente, tanto torcedores quanto políticos e especialistas expressaram sua desaprovação em relação ao confronto, especialmente em função da ofensiva militar de Israel em Gaza. Há um ano, a Federação Irlandesa de Futebol fez um pedido à Uefa para suspender a Federação Israelense de Futebol, mas a solicitação foi negada.
O presidente da Associação de Futebol da Irlanda, David Courrell, comentou que a Uefa também rejeitou um pedido para que ambas as seleções fossem separadas em futuros sorteios. O descontentamento já estava presente antes mesmo do anúncio das partidas. Quando a Irlanda foi sorteada no mesmo grupo que Israel, em fevereiro, surgiram pedidos para que os jogos fossem boicotados.
Diante disso, a federação irlandesa decidiu realizar uma votação em julho. No total, 75 membros votaram a favor dos jogos, enquanto 32 se opuseram. A decisão, segundo a FAI, foi de que não jogar poderia prejudicar o futuro do futebol irlandês, complicando a chance de classificação para a Eurocopa de 2028, que a Irlanda co-sedia.
Ativistas têm se mobilizado em Dublin, tentando impedir que a seleção irlandesa participe do primeiro confronto. O segundo jogo está marcado para o dia 4 de outubro, na Sérvia.
O técnico da Irlanda, Heimir Hallgrimsson, também se mostrou incomodado com a situação. Ele destacou que, apesar do desconforto, a equipe está unida e pronta para jogar. Ele fez questão de enfatizar que a seleção não está jogando “com genocídio”, mas sim “contra o genocídio”.
A resposta da Federação Israelense às declarações de Hallgrimsson foi dura, chamando suas palavras de “ignorantes e hipócritas”. Eles afirmaram que Israel tem contribuído para a humanidade em diversas áreas, mas lamentaram a falta de uma “cura” para a ignorância.
Com o objetivo de evitar mais tensões, a Irlanda decidiu realizar o jogo em solo neutro, optando pela Hungria, onde a segurança pode ser mais facilmente gerida. Para o segundo jogo, a escolha recaiu sobre Backa Topola, na Sérvia, uma cidade menor que pode facilitar a gestão dos protestos e da segurança.
A expectativa de que a mudança de local diminuiria a tensão não se concretizou. Nas últimas semanas, torcedores irlandeses têm protestado, e mais de 160 atletas assinaram uma carta aberta pedindo um boicote aos jogos. Para ambos os confrontos, não haverá venda de ingressos aos torcedores irlandeses, e no primeiro jogo, poucos ingressos estarão disponíveis para os israelenses.
A Rede Nacional de Televisão da Irlanda também decidiu reduzir sua cobertura do evento e não receberá receitas publicitárias, limitando-se a cumprir suas obrigações contratuais. Desde o início da ofensiva em Gaza, a Irlanda se posicionou fortemente ao lado dos palestinos. Milhares de vidas foram perdidas, e a situação continua sendo um tema delicado e controverso no país.
A Irlanda, junto com outros países europeus, reconheceu oficialmente o Estado palestino e se uniu a iniciativas legais contra Israel.