A chegada de Marcos Leonardo ao Ajax no começo da temporada gerou bastante expectativa. Era a oportunidade perfeita para que o atacante brasileiro, depois de quase dois anos jogando no Al-Hilal, na Arábia Saudita, mostrasse seu talento no futebol europeu. Mas, ao longo desses três meses, as coisas não saíram como o esperado.
Até agora, ele marcou apenas dois gols em 13 partidas e já faz cinco jogos que não encontra o caminho das redes. O jovem de 23 anos esteve disponível para todas as 18 partidas do Ajax nesta temporada, mas só foi titular em quatro delas, entrando como substituto em outras nove. Em cinco oportunidades, nem chegou a entrar em campo. No último domingo, por exemplo, ele estava preparado para jogar, mas o técnico Míchel optou por colocar um zagueiro no lugar.
As críticas têm aumentado na Holanda. Ex-jogadores, jornalistas e até pessoas que já trabalharam no clube estão se manifestando. Ruud Gullit, ídolo do Ajax, e René van der Gijp, outro ex-atacante, já pediam mais do jogador. Afinal, o valor pago pelo seu passe, 20 milhões de euros, foi o maior da janela de transferências e isso traz uma pressão extra.
Na prática, quem acompanha o time percebe que Marcos Leonardo ainda não se adaptou ao estilo de jogo do Ajax. Ele até recebe a bola em boas condições, mas tem falhado na hora de finalizar. Um dado interessante é que ele desperdiçou 12 grandes chances de gol, o que chama a atenção. Em uma dessas partidas, contra o Sion, ele perdeu quatro chances em um único jogo.
Ronald de Boer, outro ícone do clube, comentou que ele não parece ter um ponto forte que o destaque como centroavante, o que é preocupante. “Ele perdeu oportunidades que eram para empurrar a bola para o gol”, destacou De Boer, enfatizando que, com um investimento desse tamanho, é natural que as pessoas esperem mais resultado.
Por outro lado, há quem ainda tenha esperança de que Marcos Leonardo consiga se recuperar. De Boer lembrou que outros jogadores, como David Neres e Edson Álvarez, tiveram dificuldades no início, mas conseguiram se firmar no time. Contudo, ele fez uma comparação um tanto pesada, dizendo que, por enquanto, Marcos se assemelha a Iván Gabrich, um atacante argentino que não teve sucesso no clube na década de 90.
Falando sobre sua adaptação, o próprio Marcos comentou que começou a treinar no meio da pré-temporada, depois de um período de inatividade. Ele voltou do Brasil sem treinar e percebeu que na Europa tudo acontece em um ritmo diferente. “Fiz de tudo para me adaptar, mas isso foi mais difícil do que eu esperava”, explicou.
Apesar de sua fase complicada, ele garantiu que não desaprendeu a fazer gols e está determinado a mudar essa situação. “Sou centroavante e quero fazer gols, mas, neste momento, não estou conseguindo”, desabafou.
Um ponto positivo para ele é que o treinador Míchel elogiou seu esforço, destacando sua dedicação até mesmo na parte defensiva. Para Míchel, sua atuação contra o Groningen foi boa, mesmo sem marcar. “Leo pode ser um jogador muito bom para nós”, disse o técnico.
Por outro lado, a concorrência é forte. O centroavante nigeriano Tolu Arokodare, também contratado nesta temporada, já marcou nove gols em 14 partidas e tem se destacado, incluindo um gol decisivo na vitória contra a Atalanta.
Marcos reconheceu a rivalidade saudável entre eles, afirmando que Arokodare é um bom companheiro, sempre com uma energia positiva. A semana do Ajax será dedicada a treinos, preparando a equipe para o próximo jogo contra o AZ, no Campeonato Holandês, onde estão a três pontos do líder Feyenoord. O brasileiro deve continuar como reserva, mas ainda terá a chance de mostrar seu valor e tentar dar a volta por cima.