Enzo Maresca, novo treinador do Manchester City, comentou sobre uma mudança interessante na Premier League. Por muito tempo, o futebol inglês foi visto como um modelo a ser seguido em termos de jogo posicional. Mas agora, parece que as equipes estão quebrando essas estruturas e adotando novas abordagens.
Recentemente, a marcação individual ganhou destaque. Isso significa que os jogadores estão se focando mais em marcar adversários específicos, e não apenas em proteger áreas do campo. Na prática, isso fez com que o jogo se tornasse mais físico e as jogadas ensaiadas se tornassem parte fundamental da preparação das equipes. Maresca acredita que essas mudanças transformaram profundamente a forma como as partidas são jogadas na Inglaterra.
Em uma conversa com o “The Athletic”, o treinador destacou que, comparado a três anos atrás, as jogadas ensaiadas são a grande novidade. Ele disse: “Naquela época, você não poderia afirmar que não era uma liga física. As jogadas ensaiadas agora estão em alta, e a marcação individual está em todo lugar.” Essa nova abordagem trouxe desafios diferentes para as equipes que tentam construir jogadas, pois os defensores podem seguir atacantes por todo o campo.
Maresca usou o PSG como exemplo de como uma equipe pode usar a marcação individual a seu favor. Ele observou que o time francês tem jogadores que se destacam no um contra um, como Achraf Hakimi e Nuno Mendes. Quando os adversários marcam individualmente, um jogador que consegue driblar seu marcador pode abrir espaços, já que os defensores que o seguiam podem estar ocupados.
Mas a análise de Maresca não para por aí. Ele sugere que a marcação individual pode não ser uma tendência duradoura. As equipes que costumam dominar o jogo estão aprendendo a lidar com essa forma de marcar. Ele mencionou jogos da temporada passada, como o Newcastle contra o Barcelona, onde o time conseguiu vencer mesmo enfrentando uma marcação individual.
O treinador percebe um ciclo de adaptação. Primeiro, as equipes notaram que a marcação individual dificultava a construção de jogadas. Depois, começaram a montar elencos que conseguiam superar essa pressão. Agora, essas equipes estão buscando maneiras de manipular a marcação individual a seu favor. Um exemplo disso é que, se um atacante é marcado por um defensor, ele pode se mover para arrastar o defensor consigo, liberando espaço para um colega de equipe.
Maresca também abordou a importância das jogadas ensaiadas, como as do Arsenal, que alcançou um recorde de 19 gols de escanteios na última temporada. Para ele, essas jogadas podem ser decisivas em partidas onde o jogo tradicional não flui bem. “Estamos buscando melhorar nossos números em jogadas ensaiadas, pois elas podem ser a diferença entre ganhar ou perder”, disse.
Com essa nova dinâmica na Premier League, o Manchester City precisará se adaptar. Embora a equipe tenha sido construída em torno de princípios que desafiam a marcação individual, como a circulação de bola e a ocupação de espaços, agora será necessário encontrar novas formas de criar superioridade em campo. Isso pode significar valorizar mais jogadores com características físicas que ajudem a romper linhas defensivas e vencer duelos.
O futebol está sempre em evolução, e o que vemos hoje pode mudar rapidamente. A forma como os times se adaptam a essas novas tendências e desenvolvem suas estratégias será fascinante de acompanhar.