Mbappé enfrenta presidente da Federação e conquista vitória

A preparação da França para a Copa do Mundo de 2026 teve um episódio tenso fora de campo. Recentemente, o jornal “L’Équipe” trouxe à tona detalhes das negociações entre os jogadores e a Federação Francesa de Futebol (FFF) sobre os bônus que seriam pagos durante o torneio. Kylian Mbappé, um dos principais nomes da seleção, não teve medo de enfrentar o presidente da FFF, Philippe Diallo, ao questionar algumas mudanças que foram propostas poucos dias antes da equipe partir para os Estados Unidos.

Diallo queria mexer na forma como os bônus seriam pagos. A ideia era que os jogadores só fossem recompensados se chegassem às semifinais, o que deixou muitos atletas insatisfeitos. Na prática, isso significava que campanhas que terminassem nas oitavas ou quartas de final ficariam sem recompensa. Durante uma reunião, Mbappé se manifestou, deixando claro seu ponto de vista: “Presidente, você está indo para sua primeira Copa do Mundo, enquanto eu já estou na terceira. Você realmente acha que uma participação nas oitavas ou quartas não tem valor?” Essa declaração resumiu bem a posição do capitão da seleção.

A reunião que discutiu essas questões aconteceu em 2 de junho, em Clairefontaine, o centro de treinamentos da seleção. Inicialmente, o encontro entre Diallo e os jogadores mais experientes estava marcado para o início da tarde, mas precisou ser adiado, pois o almoço com o presidente Emmanuel Macron se estendeu mais do que o esperado. Quando finalmente começaram a conversar, Diallo apresentou sua proposta de alteração nas premiações e informou que cada jogador teria direito a apenas dois ingressos por partida para seus familiares. Essa limitação não caiu bem entre os atletas.

Com a insatisfação pelo ar, Mbappé usou sua experiência para contestar as novas regras. As negociações continuaram nos dias seguintes e, no voo para Boston, em 10 de junho, chegaram a um acordo que, em grande parte, atendeu às demandas dos jogadores. O modelo de bônus acabou sendo mantido, e em relação aos ingressos, embora Mbappé tivesse pedido oito, o número final ficou em seis por atleta.

Além disso, a situação ficou ainda mais complicada com uma viagem organizada pela FFF para integrantes do seu Comitê Executivo. Treze dirigentes e quatro funcionários viajaram em classe executiva de Paris para Boston, o que gerou desconforto entre os jogadores. O custo dessa viagem foi de cerca de 120 mil euros, e muitos se perguntaram por que não foram utilizados os assentos disponíveis para acomodar os familiares dos atletas, especialmente após as discussões sobre a limitação de ingressos.

O desconforto não parou por aí. No jantar realizado após a partida contra a Noruega, os dirigentes foram acomodados em um ambiente separado dos acompanhantes dos jogadores, com serviços distintos. Essa situação gerou mais questionamentos sobre as prioridades da Federação, já que Diallo havia argumentado anteriormente que a redução dos bônus seria necessária devido aos altos custos do torneio.

Os jogadores, por sua vez, acreditavam que a seleção gera receitas significativas para a FFF e não viam a necessidade de mudar o modelo de premiações que havia funcionado em competições anteriores. A França acabou sendo eliminada pela Espanha nas semifinais da Copa, o que gerou ainda mais debate sobre as decisões da Federação. Os comandados de Didier Deschamps terminaram o torneio na quarta colocação, após uma atuação abaixo do esperado, enquanto a Espanha seguiu em frente e conquistou o título ao vencer a Argentina.

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Rafael Souza