José Mourinho está de volta ao Real Madrid e isso certamente traz à tona lembranças de sua primeira passagem pelo clube, que foi de 2010 a 2013. Durante esse período, o português não apenas trouxe resultados, como também se envolveu em polêmicas, especialmente no relacionamento com alguns jogadores. Um dos casos mais emblemáticos foi o de Iker Casillas, um verdadeiro ícone do time, conhecido por sua lealdade e por ter disputado mais de 700 partidas pelo clube, além de ser tricampeão da Champions League.
Sami Khedira, que fazia parte daquele time, revelou em um documentário na Netflix que a tensão no vestiário era palpável. Ele descreveu a situação como insustentável, especialmente por causa da relação conturbada entre Mourinho e Casillas. “Iker é uma lenda do Real Madrid, amado por todos os torcedores. Ele foi colocado no banco, Mourinho não falava com ele e ainda falava mal dele na imprensa. Aquilo criou um ambiente de pesadelo”, contou o alemão.
Essa situação não afetou apenas Casillas. Khedira mencionou que essa tensão teve um impacto direto nas relações de Mourinho com outros jogadores fundamentais, como Cristiano Ronaldo e Sergio Ramos. “Depois disso, a relação entre José e muitos jogadores foi rompida”, afirmou. Essas estrelas eram essenciais para manter a harmonia no vestiário, e a situação se tornou cada vez mais complicada.
Mourinho via o elenco como “mimado” e isso gerou conflitos logo nos primeiros encontros com Casillas. O goleiro, que também era o capitão, levantou algumas questões que o incomodavam, como a necessidade de mais férias para os jogadores da seleção e mudanças nos horários dos treinos. Isso irritou Mourinho, que se sentia desafiado. “Naqueles anos, a situação chegou a um ponto em que, no fim, a corda arrebentou”, completou Casillas, referindo-se à relação cada vez mais tensa entre eles.
Outro ponto que gerou desconforto foi a forma como Mourinho desejava que os jogadores encarassem os confrontos contra o Barcelona. Casillas, sendo o capitão da seleção espanhola, tentava amenizar a rivalidade, enquanto Mourinho queria um clima de guerra. “Quando você vai para a seleção, aí pode beijar o cara, mas não agora. Isso é guerra”, destacou Mourinho em seu documentário.
Durante a época, os Clássicos entre Real e Barcelona eram intensos e recheados de polêmicas. Mourinho estava sempre pronto para provocar os rivais, um jogo psicológico que, segundo muitos, desgastou Pep Guardiola, fazendo com que ele deixasse o Barça em 2012.
Mourinho saiu do Real Madrid em 2013, um ano antes de o clube conquistar novamente a Europa sob a gestão de Carlo Ancelotti. Embora seu trabalho tenha sido crucial para abrir caminho para esse sucesso, o legado de suas brigas internas ainda é lembrado e pode influenciar seu retorno agora, na nova temporada que se aproxima.