Nikão, um dos grandes ícones do Athletico, abriu o coração sobre os bastidores da campanha que levou o clube ao rebaixamento em 2024, justamente no ano em que o clube celebrava seu centenário. Essa queda foi um verdadeiro golpe na trajetória vitoriosa do meia, que conquistou a Copa Sul-Americana duas vezes, em 2018 e 2021, além da Copa do Brasil em 2019 e dois Campeonatos Paranaenses, em 2016 e 2020. Para se ter uma ideia da sua importância, ele é o quarto jogador com mais jogos pelo Furacão, somando 343 partidas.
O retorno de Nikão ao clube em abril de 2024 trouxe esperança à torcida, mas a sua segunda passagem não foi nada como o esperado. Em uma entrevista à Trétis, ele refletiu sobre como se tornou um dos “vilões” do rebaixamento, percebendo que, apesar de sua importância na história do clube, a responsabilidade recaiu sobre os nomes que mais se destacaram. Ele comentou: “Foram sete meses até o final da temporada. Assumo minha parte, assim como todos os outros. Infelizmente, alguns nomes ficam marcados, como o meu, o do Pablo, do Thiago [Heleno] e do Fernandinho. Mas sou tranquilo em relação a isso. Sei o quanto trabalhei para que isso não acontecesse, mas existem fatores fora do meu controle.”
A diretoria do Athletico, liderada pelo presidente Mario Celso Petraglia e com o diretor Márcio Lara como apoio, decidiu não manter Nikão e outros três jogadores na equipe para a Série B. O meia enfatizou que, embora a responsabilidade geral tenha sido compartilhada, aqueles com uma trajetória mais longa acabam sentindo mais o peso da situação. “Muita coisa saiu do trilho durante a temporada, e as coisas não acontecem por acaso”, frisou.
Um dos principais problemas enfrentados pelo Athletico naquele ano foi a falta de concentração dos jogadores. O volante Fernandinho, em uma conversa com o então técnico Juan Carlos Osorio, decidiu que o elenco não precisaria se apresentar na noite anterior aos jogos. Essa escolha gerou descontentamento em Petraglia ao final da temporada. Nikão, no entanto, foi claro: todos estavam cientes dessa decisão, mas ela não pode ser usada como justificativa para o rebaixamento. “No futebol brasileiro, quando você vence, tudo parece certo. Quando perde, começam a aparecer desculpas: a camisa, a chuteira, o horário do treino. Muitas coisas aconteceram e afetaram o desempenho da equipe. Infelizmente, nada deu certo”, lamentou.
Atualmente, dois anos após o rebaixamento, Nikão joga pelo Guangdong GZ-Power, na Segunda Divisão da China. Em sua nova jornada, ele já marcou 11 gols e deu 10 assistências em 26 jogos nesta temporada. Para comparar, em 2025, ele teve nove gols e oito assistências em 31 partidas, enquanto sua última temporada no Brasil foi bem mais modesta, com apenas sete gols e duas assistências em 27 jogos. Esses números evidenciam a diferença entre suas atuações no Athletico e na nova liga.