O adeus de Valdo Zanette e seu amor pelo Athletico

A eleição para a presidência do Atlético em 1975 foi marcada por uma disputa inusitada. De um lado, Aníbal Khury, que havia sido absolvido das acusações durante a ditadura e estava voltando à vida pública. Do outro, o empresário José Pedroso de Moraes, conhecido como o “Rei dos Tapetes”, que era presidente do pequeno Primavera e teve o apoio de um grupo chamado “Retaguarda Atleticana”. No fim das contas, Aníbal saiu vitorioso.

Durante a cobertura da eleição para a Rádio Universo, tive a oportunidade de perguntar a Aníbal como ele lidaria com a oposição da Retaguarda. Ele, de forma bem-humorada, esqueceu o nome do grupo e disse: “Meu filho, não haverá oposição no Atlético. Sem os ‘meias cor de rosa’, é difícil presidi-lo. Irei convidá-los.” Essa expressão se referia a alguns dos membros do grupo, incluindo Valmor Zimmermann, Valdo Zanette, Mario Celso Petraglia e Onaireves Rolim de Moura. E o detalhe curioso? Valdo estava usando meias cor de rosa em uma reunião anterior.

A despedida de Valdo Zanette foi um momento que tocou a todos. Ele partiu, mas deixou um legado de amizade e gratidão. O simbolismo dessa despedida pode parecer discreto, mas para quem conhece a trajetória do clube, é sempre carregado de significado. Na cerimônia, uma foto dele em um banco da praça do Athletico, com a Arena da Baixada ao fundo, lembrava seu amor pelo clube e pelas memórias que ajudou a construir.

Seus filhos, Fabrício, Rafael e Antonella, estavam lá, vestindo com orgulho a camisa do Athletico — uma camiseta que representa mais do que apenas um time, mas um amor profundo. Sobre o caixão de Valdo, uma faixa que simbolizava o título de campeão brasileiro de 2001. Ele foi um homem que sempre fez o bem, amava a família, o Athletico e os amigos, e estava sempre disposto a ajudar os outros. Antes de se despedir, Valdo lembrou de uma frase de São Paulo: “Combati o bom combate, terminei a corrida, guardei a fé.”

É natural se sentir triste em momentos como esse, e minha solidariedade vai para Sandra, seus filhos e netos.

Augusto Mafuz é uma figura icônica na história do Atlético, interpretando a alma do torcedor atleticano em suas crônicas há mais de quatro décadas. Ele consegue traduzir a loucura, os conflitos e as emoções que permeiam o clube. Em momentos de crise, muitos torcedores costumavam dizer que a melhor maneira de entender o que estava acontecendo era “ler o Mafuz”.

Nascido em Guarapuava em 11 de maio de 1949, três dias antes de uma das 11 vitórias consecutivas do Furacão, Mafuz chegou a Curitiba aos 17 anos e começou sua carreira na Rádio Guairacá. Em 1968, tornou-se repórter de campo e, logo depois, passou a escrever sobre o Athletico na Tribuna do Paraná, onde é colunista desde 1977. Conhecido por seu estilo polêmico e por estar sempre bem informado sobre os bastidores do futebol, Mafuz é também um homem generoso e doce, que ainda se mantém ativo no podcast Carneiro & Mafuz, mostrando que sua paixão pela crônica continua firme e forte.

Sobre o Autor

Rafael Souza