Às vezes, algumas memórias marcam nossas vidas de um jeito que parece que nunca vão embora. Elas têm o poder de nos influenciar ao longo do tempo. Um episódio que me vem à mente é o momento em que pensei em desistir do jornalismo, uma profissão que sempre amei. Eu trabalhava na Gazeta do Povo e no Diário da Tarde, mas o sentimento de insatisfação me fez questionar se deveria continuar.
Foi então que recebi uma ligação do Francisco “Pancho” Camargo, uma figura marcante na minha trajetória. Ele me disse: “Você nasceu para escrever na Tribuna. Volte para cá e escreva sem medo!”. Esse simples telefonema mudou tudo. Enquanto Machado Neto me ajudou a dar os primeiros passos no rádio, foi Pancho quem realmente me trouxe de volta ao jornalismo.
Pancho era um jornalista de verdade, daqueles que hoje em dia são raros. Ele tinha um jeito único de fazer humor, seja em tiras ou nas manchetes das reportagens. O talento dele para fechar uma matéria era incomparável. E, mesmo sendo uma pessoa tão humilde e discreta, ele nunca percebeu o quanto sua generosidade impactou jovens jornalistas como eu. Muitas pessoas deviam a ele uma dívida de gratidão, mas ele nunca pediu nada em troca.
Ele amava o jornalismo, seus filhos e o Athletico, claro. E nós, que éramos mais novos, também admirávamos seus momentos com Lúcia. A verdade é que aquele telefonema de Pancho me salvou de uma grande frustração que poderia ter mudado o rumo da minha vida. É impressionante como uma simples conversa pode ter um impacto tão profundo na nossa trajetória.