Lucas Paquetá não era a escolha favorita de Carlo Ancelotti para o meio-campo antes da Copa do Mundo. Quando deixou o West Ham e voltou para o Flamengo, ele ficou de fora dos amistosos contra França e Croácia em março. Na última partida que jogou, contra a Tunísia, em novembro, a situação não foi das melhores: ele perdeu um pênalti no empate de 1 a 1, o que gerou algumas dúvidas sobre sua forma.
Mas, a partir da fase de grupos do Mundial, tudo mudou. Paquetá se firmou como titular e conquistou um espaço importante no time de Ancelotti. Mesmo em jogos onde não conseguiu brilhar, como na estreia contra Marrocos, o treinador manteve sua confiança nele. Ele se transformou em uma peça versátil, quase um “canivete suíço” da seleção, pronto para atuar em diferentes posições, seja no Flamengo ou na seleção.
No Flamengo, sob o comando de Leonardo Jardim, Paquetá tem mostrado essa flexibilidade. Ele pode jogar mais recuado ou avançar, atuando como ponta ou meio-campista. Essa adaptabilidade foi um dos fatores que levou Ancelotti a escolhê-lo entre os 26 convocados, superando nomes como Luiz Henrique e Gabriel Martinelli.
Antes da Copa, Paquetá não estava nos planos iniciais de Ancelotti. No amistoso contra o Panamá, por exemplo, ele entrou apenas no segundo tempo, quando o time reserva já estava em campo, e ainda conseguiu marcar um gol na vitória por 6 a 2. Mas as dúvidas sobre o meio-campo aumentaram antes da estreia, e Ancelotti decidiu testar Paquetá em uma nova formação no jogo contra o Egito.
Naquela partida, ele jogou centralizado, próximo a Bruno Guimarães e Casemiro, mas também se movia pela ponta-direita, enquanto Raphinha se mantinha mais próximo a Vinicius Júnior na esquerda. Essa configuração foi a primeira tentativa de Ancelotti com Paquetá. No entanto, na estreia contra Marrocos, o meio-campista não se encontrou em campo e acabou errando uma jogada crucial que resultou no único gol do adversário.
Depois desse revés, Ancelotti decidiu reverter a estratégia e colocou Paquetá de volta em uma posição mais centralizada. Raphinha voltou para a direita, e essa mudança teve um impacto positivo. Nos jogos seguintes, contra Haiti e Escócia, Paquetá se destacou ao atuar mais pela esquerda, perto de Vinicius Júnior, e ajudou Bruno Guimarães no jogo.
A capacidade de Paquetá de atuar em diferentes lados do campo e funções é um ponto positivo, mas também pode ser um desafio. Por um lado, essa versatilidade o torna um jogador valioso para Ancelotti, mas, por outro, pode dificultar sua evolução ao longo do tempo, já que ele não tem uma posição fixa.
Paquetá voltou ao Flamengo a pedido de Filipe Luís, e Leonardo Jardim tem sido fundamental para extrair o melhor de seu futebol. Embora ainda não tenha garantido uma titularidade absoluta, ele teve bons momentos, como no jogo contra o Santos, onde marcou o gol que selou a vitória por 3 a 1 no Maracanã. A orientação de Jardim é clara: ele deve se movimentar pelo campo, flutuando entre as posições, ajudando no ataque e na defesa.
Essa habilidade de Paquetá chamou a atenção de Ancelotti, que inicialmente convocou apenas cinco jogadores para o meio-campo. Após um jogador se machucar, Éderson foi chamado para reforçar o setor. Durante os amistosos, Paquetá mostrou que merecia uma chance como titular, e agora é parte fundamental da equipe.
Ele mesmo comentou sobre sua função no time: “Sou um jogador de meio-campo que ajuda defensivamente e na construção das jogadas. O Mister sempre pede para eu soltar minhas características. Ele não me dá muito controle com a bola, mas pede para eu participar do jogo.” Essa liberdade parece ter ajudado Paquetá a se encontrar em campo.
O próximo desafio da seleção brasileira é contra o Japão, nos 16-avos de final. Ancelotti parece ter encontrado uma formação que funciona bem, com Paquetá desempenhando um papel essencial no meio-campo. Contra o Haiti, ele aproveitou os espaços deixados pelo adversário para criar jogadas e conseguiu sua primeira assistência no torneio, marcando uma recuperação após um desempenho abaixo do esperado na estreia.
Agora, com a expectativa em alta, a seleção brasileira precisa ter controle do meio-campo para garantir uma vitória contra os japoneses, que têm buscado se destacar nesse setor durante a competição.