Pato se inspira em Wrexham e videogame para comprar time inglês

Alexandre Pato, um nome bem conhecido no futebol, está vivendo uma nova fase aos 37 anos. O ex-atacante, que já passou por grandes times como o Milan, agora se lançou em um projeto diferente: ele é um dos rostos da nova gestão do Northampton Town, um clube da quarta divisão inglesa. Recentemente, Pato deu uma entrevista à “ESPN” da Inglaterra onde contou um pouco sobre essa nova aventura e como suas lembranças de jogos de videogame e uma série sobre futebol o inspiraram a investir no clube.

Para Pato, a conexão com o Northampton vai além do investimento financeiro. Quando era mais jovem, ele costumava escolher o time em suas partidas de PlayStation, atraído pelo escudo do clube. Agora, essa paixão infantil se transformou em um projeto real, que busca desenvolver o time, estreitar laços com a comunidade local e explorar oportunidades comerciais, especialmente no Brasil. “Eu jogava com o Northampton no videogame quando era mais jovem e, neste momento, estou aqui!”, revelou ele, com um sorriso.

A compra do clube foi finalizada no fim de setembro pela Sports Alpha Capital, um grupo de investidores que inclui Pato e outros nomes como João Xavier, Tim Chamberlain e Pedro Piquet. Com essa mudança, o Northampton ganhou uma nova perspectiva financeira, já que a dívida do clube foi quitada.

Um fator que influenciou a aquisição foi a série “Bem-vindos ao Wrexham”, que mostra como um clube de divisões inferiores pode se transformar em um fenômeno, atraindo a atenção da comunidade e ampliando suas fontes de receita. João Xavier, copresidente da Sports Alpha Capital, contou que a série despertou seu interesse em investir em um clube de futebol. Apesar da inspiração, Pato e sua equipe têm planos próprios. Ele destaca que, embora admire o trabalho do Wrexham, acredita que o Northampton precisa encontrar sua própria identidade. “Aqui é diferente, mas acreditamos em nós mesmos e que podemos fazer algo especial em Northampton”, afirmou.

A prioridade da nova gestão é transformar o interesse inicial em receitas e criar uma estrutura que suporte o crescimento do time. Entre as ideias em discussão estão a produção de um documentário, acordos comerciais, estratégias de transmissão, além de iniciativas para atrair torcedores sul-americanos ao estádio. A contratação de jogadores brasileiros também está na pauta, mas Pato e sua equipe estão cientes das limitações impostas pelas regras de trabalho no Reino Unido. “Não é uma promessa, mas seríamos estúpidos se não olhássemos para a contratação de jogadores do Brasil”, comentou Xavier.

A presença de Pato no Northampton é uma grande oportunidade para o clube se conectar com um público mais amplo. Ele tem reconhecimento internacional e pode ajudar a atrair torcedores brasileiros que têm interesse no futebol inglês, mesmo fora da Premier League. Além disso, essa conexão pode trazer benefícios comerciais, já que os clubes ingleses são bastante populares no Brasil. O Northampton, com sua história local e ambições de crescimento, oferece uma narrativa diferente.

Entretanto, os desafios são grandes. O clube foi rebaixado da League One na temporada passada e começou a nova campanha na League Two enfrentando dificuldades. A situação financeira do futebol inglês também exige cautela. O Northampton apresentou um prejuízo recorde de quase 3 milhões de libras em seu balanço, antes mesmo de considerar o impacto do rebaixamento. A nova gestão quer aproveitar melhor os ativos do clube e criar novas fontes de receita além dos jogos em casa.

João Xavier reconhece que os problemas financeiros são uma realidade constante para quem trabalha no futebol, mas vê oportunidades para melhorar a sustentabilidade do Northampton. Com 23 partidas em casa por temporada, o grupo pretende encontrar formas de gerar receita mesmo quando o estádio não estiver cheio. Pato, por sua vez, está ciente de que a jornada para a ascensão esportiva não será fácil. Ele já recebeu conselhos de antigos companheiros sobre as dificuldades de gerenciar um clube nas divisões inferiores da Inglaterra, mas mantém a confiança no projeto e na capacidade de sua equipe de fazer história.

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Rafael Souza