Pochettino revela alternativa sem Pulisic e EUA sonham na Copa

A ausência de Christian Pulisic foi um grande teste para a seleção dos Estados Unidos nesta Copa do Mundo. Ele teve uma participação destacada na vitória de 4 a 1 sobre o Paraguai, mas não pôde jogar contra a Austrália na última sexta-feira (19) devido a uma lesão na panturrilha. Mas, ao invés de sentir sua falta, a equipe mostrou que tem muito mais a oferecer. Com uma atuação madura e dominante, os anfitriões venceram por 2 a 0 em Seattle, garantindo a vaga na fase de mata-mata com uma rodada de antecedência no Grupo D.

O jogo foi construído com autoridade. O time, sob o comando de Mauricio Pochettino, controlou os espaços e impôs seu ritmo, criando várias oportunidades para agredir o adversário. A Austrália, por sua vez, teve dificuldade em lidar com a pressão americana, passando a maior parte do tempo apenas reagindo aos movimentos de um time bem organizado e intenso.

Mais do que uma segunda vitória consecutiva, o jogo também mostrou a capacidade de adaptação do treinador argentino. Sem Pulisic, a equipe não buscou um substituto que tentasse imitar suas características. A solução veio de um esforço coletivo, e isso fez toda a diferença.

### A Estrutura Dinâmica dos Estados Unidos

A escalação inicial mantinha um 4-2-3-1 semelhante ao utilizado na estreia, mas em campo, a equipe mostrou ajustes interessantes na sua organização ofensiva. Antonee Robinson, por exemplo, teve um papel fundamental. Ele, que é lateral, atuou como um ala, avançando pelo lado esquerdo e garantindo uma amplitude constante. Sua presença pressionava a defesa australiana, criando espaços cruciais para os colegas.

No lado direito, a parceria entre Sergiño Dest e Weston McKennie também foi notável. Os dois se movimentavam muito, se aproximando e trocando de posição, o que gerava confusão na defesa adversária. Quando Dest avançava, McKennie se deslocava para dentro, e vice-versa. Essa dinâmica gerou várias situações favoráveis para o ataque.

O meio de campo também teve um papel decisivo. Tyler Adams, posicionado à frente dos zagueiros, organizava a saída de bola e trazia equilíbrio à equipe. Enquanto isso, McKennie e Malik Tillman tinham funções mais livres, ocupando os “meio-espaços” e se movimentando pelos lados do campo. Essa estratégia permitiu que os Estados Unidos criassem constantemente superioridade numérica nas jogadas.

Durante as ações ofensivas, a formação se assemelhava a um 3-4-2-1. O lateral Alex Freeman, que normalmente avança, ficou mais recuado, ajudando na circulação da bola e formando uma linha defensiva sólida. Essa configuração permitiu que a equipe atacasse com volúpia, sem abrir mão da estabilidade defensiva.

### A Importância de Ricardo Pepi

A escolha de Ricardo Pepi para ocupar a vaga deixada por Pulisic também merece destaque. Apesar de terem estilos diferentes, Pepi foi essencial para manter a fluidez do ataque. Sua movimentação foi notável; ele frequentemente se aproximava de Folarin Balogun, formando uma dupla de ataque que complicava a vida dos zagueiros australianos. Em outros momentos, recuava para ajudar na construção das jogadas, atraindo marcadores e liberando espaços para os companheiros.

Essa mobilidade tornou o ataque americano menos previsível. Ao invés de depender de um único jogador, a equipe conseguiu distribuir o protagonismo e explorar diferentes opções para avançar.

Defensivamente, a intensidade da equipe também foi impressionante. Sempre que a posse de bola era perdida, os jogadores reagiam rapidamente para recuperá-la. Essa pressão constante impediu que a Austrália tivesse qualquer conforto durante a partida. O resultado foi um futebol elétrico, agressivo e muito bem executado coletivamente.

### Avanços e Desafios

Os torcedores americanos que estiveram no Lumen Field puderam ver um time que, mesmo sem um de seus principais jogadores, conseguiu se reinventar. A ausência de Pulisic poderia ter desestabilizado a equipe, mas, ao contrário, o time mostrou que tem capacidade de redistribuir as responsabilidades e encontrar novas formas de jogar.

Com duas apresentações convincentes, os Estados Unidos começam a sonhar alto na competição. Embora ainda haja desafios pela frente, o trabalho de Pochettino já rendeu uma equipe com identidade e convicção. Se continuarem nesse ritmo, os sonhos de voos mais altos podem se tornar uma realidade nesta Copa do Mundo.

Sobre o Autor

João Ribeiro