reflexões sobre erros do passado e lições aprendidas

Brandon Williams tinha apenas 19 anos quando começou a brilhar no Manchester United. Após uma temporada incrível sob o comando de Ole Gunnar Solskjaer, ele se destacou como o lateral-esquerdo da equipe, até mesmo superando o experiente Luke Shaw. Porém, cinco anos depois, a história tomou um rumo inesperado. Agora com 25 anos, Williams tenta reerguer sua carreira treinando com o Rotherham United, um time de divisões inferiores. Seu último jogo completo foi em novembro de 2023, pelo Ipswich Town. Ele ainda aguarda notícias sobre o futuro no futebol e reconhece que suas escolhas impactaram bastante sua trajetória.

Em uma conversa franca com o “The Athletic”, Williams fez uma reflexão profunda sobre seu passado. “Eu era imaturo e estúpido. Olhando para trás, percebo o quanto fui idiota”, confessou. Ele não se esquiva de assumir a responsabilidade pelos seus erros e acredita que essa é a chave para sair da situação complicada em que se encontra. “Aprendi com os meus erros. Eu me coloquei nessa confusão, então sou eu quem precisa encontrar a saída.”

A ascensão de Williams no Manchester foi rápida. Na temporada 2019/20, ele se destacou como uma das grandes promessas do time, jogando 36 partidas e até marcando seu primeiro gol. Solskjaer o elogiou, dizendo que ele era “valente como um leão”. Mas para Williams, toda aquela pressão e fama chegaram muito cedo. “Foi difícil, especialmente por ser de Manchester. Minha família também sentiu o peso”, compartilhou.

Na época, ele morava com a mãe, mas a pandemia de Covid-19 interrompeu sua carreira em um momento crucial. A fama repentina trouxe desafios, e Williams decidiu sair de casa. Ele admite que essa foi uma das piores decisões que tomou. “Eu era imaturo demais. Deveria ter ficado com meus pais para ter apoio nesse momento”, refletiu. O desempenho em campo começou a cair, e na temporada seguinte, ele jogou apenas 14 vezes, sendo cinco como titular. Um empréstimo ao Norwich e uma passagem pelo Ipswich não trouxeram os resultados esperados, e ao voltar ao United, encontrou Erik ten Hag no comando, mas mal teve oportunidades.

A falta de chances aumentou o sentimento de solidão. Williams relatou que o mais difícil era viver na incerteza sobre seu lugar no time. “É complicado quando ninguém te diz nada, você fica no escuro, como um passageiro”, contou. No Ipswich, ele acreditava que estava recuperando seu melhor futebol, mas o treinador percebeu que algo não estava certo. Após um jogo, ele foi mandado de volta a Manchester para refletir e acabou não jogando mais naquela temporada.

A ajuda de pessoas próximas foi crucial. O psicólogo Michael Farrell, que o acompanhava desde os tempos de base, fez visitas inesperadas para incentivá-lo a sair da cama e cuidar de si. Williams chegou a perder o interesse pelo futebol, e após 16 anos no Manchester United, ele deixou o clube em 2024, quando seu contrato terminou.

Fora do campo, as dificuldades também apareceram. Em agosto de 2023, ele se envolveu em um acidente de carro e, em maio do ano anterior, recebeu uma pena de prisão suspensa por dois anos, além de 180 horas de trabalho comunitário e três anos sem poder dirigir. Esse episódio foi um verdadeiro despertar para ele. “Isso me fez amadurecer e perceber que a vida real não é um jogo”, desabafou.

Williams lamenta o uso de óxido nitroso, uma forma de escapismo que ele adotou. “Olhar para trás e perceber que fui idiota é doloroso. Isso não é o que um atleta faz. É coisa de quem não pensa”, disse. Ele gostaria que jovens jogadores aprendessem com seus erros, especialmente aqueles que entram no mundo do futebol profissional com grandes salários. “Com apenas 19 anos, eu ganhava mais do que minha família jamais tinha visto. Era difícil até para eles lidarem com isso. E é fácil jogar tudo fora”, refletiu.

Por isso, Williams defende que as academias dos grandes clubes ofereçam uma preparação mais completa para os jovens. Sugestões como educação financeira e a obrigatoriedade de guardar uma parte dos salários até uma certa idade poderiam fazer diferença. Ele também acredita que conversas com ex-jogadores que passaram por experiências semelhantes poderiam ajudar esses jovens a se prepararem melhor para a vida profissional. “Eu achava que sabia tudo aos 19 anos, mas, na verdade, era muito imaturo”, finalizou.

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Rafael Souza