Uefa pode processar Infantino por venda de direitos da Copa

A crise política entre a Uefa e a Fifa parece estar se intensificando. Recentemente, a Uefa, que representa o futebol europeu, decidiu agir de forma contundente contra a Fifa, liderada por Gianni Infantino. A entidade europeia não gostou nada da ideia de vender participações comerciais da Copa do Mundo para investidores privados e agora está considerando abrir processos judiciais. Para isso, já enviou notificações formais não só a Infantino, mas também a várias figuras envolvidas no projeto, como Joshua Kushner e JP Morgan.

A proposta da Fifa, chamada Fifa Forward Enterprise (FFE), previa a venda de cotas comerciais da Copa do Mundo e de outros torneios. No entanto, o plano foi retirado após uma forte reação do futebol mundial, liderada pela Uefa. É interessante notar que esse tipo de movimento pode ter um impacto significativo nas relações entre as instituições do futebol.

Uefa pede preservação de documentos importantes

De acordo com o que foi revelado, a Uefa enviou uma carta para Infantino, exigindo que a Fifa preserve todos os documentos relacionados ao projeto. O tom do comunicado é sério, e a Uefa deixou claro que está “considerando ativamente” ações legais e outras medidas. Um detalhe que costuma passar despercebido é que a entidade enfatizou que a Fifa deve garantir a preservação de todos os arquivos, independentemente das políticas internas de retenção de documentos.

A carta também traz um alerta importante: qualquer destruição de provas pode ter consequências legais graves. No documento, a Uefa pede que a Fifa informe, em até cinco dias úteis, se recebeu a notificação e quais ações foram tomadas para preservar os documentos. Além disso, a Uefa mencionou outros dirigentes da Fifa que também podem ter informações relevantes sobre o projeto.

A crise se agrava com o boicote à Fifa

A situação já estava tensa antes da retirada do projeto. A Uefa havia declarado que suas 55 federações filiadas estavam dispostas a boicotar futuras edições da Copa do Mundo, caso a proposta avançasse. Essa posição representa um desafio direto à liderança de Infantino e mostra como as divisões entre as principais confederações do futebol estão se acentuando.

Além disso, surgiram informações sobre quem estava por trás do FFE. Joshua Kushner, por exemplo, é um nome que chamou a atenção, já que seu irmão, Jared Kushner, é genro do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O fundo dele era considerado o principal candidato para liderar o grupo de investidores interessados na proposta. Também estavam envolvidos Greg Maffei, ex-presidente da Liberty Media, e instituições financeiras como o JPMorgan Chase.

Embora o projeto tenha sido abandonado, a postura da Uefa sugere que essa disputa não deve acabar tão cedo. As tensões entre a Uefa e a Fifa podem desencadear uma nova era de conflitos institucionais no futebol mundial, algo que quem acompanha de perto já percebeu que pode ter repercussões por um bom tempo.

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Rafael Souza